A recente análise do jornal americano The Wall Street Journal trouxe à tona a dimensão do Primeiro Comando da Capital, o PCC. O jornal comparou a facção a máfias italianas e destacou sua eficiência como uma grande empresa. A organização criminosa, que começou no Brasil, hoje é vista como uma potência global no tráfico de cocaína. Ela reorganiza rotas e expande sua presença por vários continentes. Autoridades dos Estados Unidos já identificaram pessoas ligadas ao grupo em diversos estados. Isso mostra que o alcance da facção vai além das fronteiras sul-americanas.
O PCC: Uma Organização Global e Seus Alcances
O Wall Street Journal aponta que o PCC se tornou um dos maiores grupos criminosos do mundo. Ele muda a forma como a cocaína sai da América do Sul e chega aos portos da Europa, além de tentar entrar nos Estados Unidos. Lá, promotores federais em Massachusetts, por exemplo, já acusaram 18 brasileiros com laços com a facção. Com cerca de 40 mil membros, a organização é hoje o maior grupo do tipo nas Américas. Ela atua em 30 países e quase todos os continentes, exceto a Antártida.
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A discussão nos EUA para classificar o PCC como organização terrorista estrangeira mostra a preocupação com seu poder. Contudo, o governo brasileiro se opõe a essa medida. O jornal americano descreve a facção como uma multinacional, com um alto nível de organização. Seus integrantes mantêm um perfil discreto. Eles buscam mais riqueza do que reconhecimento público. Novos membros seguem um código de conduta rigoroso e, curiosamente, rituais de entrada às vezes acontecem por videoconferência.
As Táticas de Recrutamento do PCC
Para aumentar seus membros, conseguir dinheiro e abrir novas rotas para o tráfico, o PCC usa estratégias variadas. Uma delas envolve enviar integrantes para áreas distantes do Brasil. Lá, eles se apresentam como pastores. Eles aproveitam a crença popular na teologia da prosperidade. Esta crença diz que riqueza é um sinal de bênção divina. Isso ajuda o grupo a ganhar espaço em comunidades carentes.
Dentro dos presídios, a organização promete apoio jurídico a detentos através de seus advogados, conhecidos como “brigada da gravata”. Esta é uma forma eficaz de atrair novos integrantes. A facção também busca pessoas fora das prisões. Ela expande sua rede em países vizinhos como Colômbia, Peru e Bolívia.
Lavagem de Dinheiro e Expansão na Amazônia
Em 2023, a facção foi acusada de criar pelo menos sete igrejas no Rio Grande do Norte para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Além disso, o grupo também lava dinheiro em outros tipos de negócios. Entre eles estão postos de gasolina, fundos imobiliários, motéis, concessionárias de veículos e empresas de construção. Assim, a facção expandiu sua atuação até a região da Amazônia, uma área estratégica para as rotas do tráfico.
A presença da organização na Amazônia tem um impacto direto nas comunidades locais. Jeffersson Ribeiro, que gerencia um hotel pequeno em Urucurituba, descreveu a situação: “Estamos nas mãos dos traficantes agora”. Em algumas dessas localidades, grupos criminosos chegaram a formar times de futebol para atrair e recrutar jovens. Isso mostra a diversidade de suas abordagens.
