Metade das mulheres com deficiência em Campinas não terminou o ensino fundamental ou não tem nenhuma instrução. Este número vem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento faz parte do Censo 2022. Ele mostra um cenário preocupante para a cidade paulista. São 17.454 mulheres com 25 anos ou mais nesta situação. O total de mulheres com deficiência na mesma faixa etária é de 34.018. Os dados foram divulgados em uma nova plataforma sobre mulheres, lançada em março de 2026. Portanto, a situação exige atenção urgente da sociedade e das autoridades.
Os Desafios Enfrentados pelas Mulheres com Deficiência em Campinas
Gisele Pacheco, pedagoga e fundadora do Movimento Brasileiro de Mulheres Cegas e de Baixa Visão, considera este percentual “assustador”. Ela destaca que as mulheres com deficiência enfrentam obstáculos duplos. Elas precisam lidar com o capacitismo e também com o machismo. O capacitismo é o preconceito contra pessoas com deficiência. Ele subestima a capacidade delas. O machismo, por sua vez, é a ideia de que homens são superiores, o que discrimina e menospreza as mulheres. Assim, a vulnerabilidade dessas mulheres aumenta consideravelmente.
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Pacheco, que tem deficiência visual, explica a situação. “As mulheres são mais vulneráveis em nossa sociedade”, diz ela. “Quando falamos de mulheres com deficiência, a vulnerabilidade cresce. Isso depende do tipo de deficiência.” Além disso, existe a superproteção familiar. Muitas vezes, falta informação sobre o potencial dessas mulheres. Elas podem ser pessoas produtivas na sociedade. Contudo, a falta de conhecimento e o preconceito limitam suas oportunidades. As famílias também sentem essa vulnerabilidade, o que pode gerar mais isolamento. Por exemplo, a falta de acesso à educação básica é um reflexo direto dessas barreiras.
Capacitismo e Machismo: Entenda as Barreiras para Mulheres com Deficiência
É importante entender estes dois conceitos. O capacitismo é a discriminação. Ele se manifesta quando a capacidade de uma pessoa com deficiência é subestimada. Isso ocorre por alguém que não tem deficiência. Por outro lado, o machismo é um conjunto de comportamentos. Ele prega a superioridade masculina. Assim, discrimina e menospreza as mulheres em geral. Quando estas duas formas de preconceito se juntam, o impacto é ainda maior para as mulheres com deficiência em Campinas. Elas enfrentam um cenário de exclusão ainda mais complexo.
Glaucia Marcondes, coordenadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (Nepo) da Unicamp, aponta outro problema. Existe o tabu da domesticidade feminina. Historicamente, a mulher é associada ao ambiente doméstico. Ela cuida da família e das tarefas do lar. Esta visão afeta diretamente as meninas com deficiência. “Mesmo quando meninos e meninas têm deficiência, as famílias veem as meninas como mais vulneráveis”, explica Marcondes. Elas estariam mais expostas à violência. Isso é uma questão de gênero, que molda a percepção de fragilidade e medo. Portanto, a sociedade precisa mudar esta mentalidade.
A Necessidade de Inclusão e Acesso à Educação para Mulheres com Deficiência em Campinas
Os dados do IBGE revelam uma lacuna educacional grave. Esta lacuna afeta diretamente a autonomia e a qualidade de vida das mulheres com deficiência em Campinas. A educação é um direito fundamental. Ela abre portas para o mercado de trabalho e para a participação social plena. Sem ela, essas mulheres ficam ainda mais marginalizadas. É crucial que políticas públicas sejam criadas. Elas devem garantir o acesso à educação para todas as mulheres com deficiência em Campinas. Além disso, é preciso combater o capacitismo e o machismo de forma ativa.
Para mudar este cenário, são necessárias ações concretas. Escolas devem ser mais inclusivas. Professores precisam de treinamento específico. As famílias necessitam de apoio e informação. Ademais, a sociedade precisa reconhecer o valor e o potencial das mulheres com deficiência. Elas têm muito a contribuir. A inclusão não é apenas uma questão de justiça. Ela também enriquece toda a comunidade. É fundamental que Campinas promova um ambiente onde todas as mulheres, independente de suas condições, tenham as mesmas oportunidades de aprendizado e desenvolvimento. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais justa e igualitária para todos.
