Independência do Fed: Warsh Apresenta Limites e Reformas

Kevin Warsh, indicado para presidir o Federal Reserve, deve apresentar suas ideias no Congresso, defendendo a independência da política monetária, mas com limites em outras funções.

O futuro da principal instituição financeira dos Estados Unidos, o Federal Reserve, está em debate com a indicação de Kevin Warsh. Ele, escolhido por Donald Trump, deve ir ao Congresso e falar sobre um tema central: a independência do Fed. Warsh promete respeitar a autonomia na política monetária, mas sinaliza que essa liberdade não se estende a todas as funções do banco central.

Warsh, de 56 anos, já atuou como diretor do Fed. Ele vai explicar aos membros do Comitê Bancário do Senado que a autonomia do banco é crucial para a política monetária. Contudo, ele também quer trabalhar com o governo e o Congresso em tarefas que não são monetárias, mas que fazem parte do papel do Fed.

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A Independência do Fed e Seus Limites

Para Warsh, a independência do Fed brilha na hora de definir os rumos da política monetária. No entanto, ele argumenta que essa mesma liberdade não deve cobrir todas as responsabilidades que o Congresso deu ao Fed. Isso inclui a gestão de recursos públicos, a fiscalização e regulamentação de bancos, e temas que impactam as finanças globais, entre outros. Warsh entende que os diretores do banco central não merecem uma “deferência especial” nessas áreas.

O indicado também quer promover mudanças dentro da agência. Ele vê como prejudicial a tendência de grandes instituições de manter tudo como está, especialmente em um mundo que muda rapidamente. Warsh acredita que um Federal Reserve focado em reformas pode fazer uma grande diferença para os cidadãos americanos.

Críticas e a Importância da Estabilidade de Preços

Warsh, que foi diretor do Fed entre 2006 e 2011, usará boa parte de seu discurso para repetir críticas antigas. Ele sempre disse que o Fed deve “manter sua linha”, evitando se meter em políticas fiscais e sociais. Por exemplo, no passado, ele criticou o banco por pesquisar sobre as consequências econômicas das mudanças climáticas. Também criticou a busca pelo “pleno emprego inclusivo”. O Fed, nos últimos anos, já diminuiu o foco nas questões climáticas.

Outro ponto levantado por Warsh é que a independência do Fed está ameaçada. Ele argumenta que o banco central falhou em cumprir seu mandato de estabilidade de preços, algo definido pelo Congresso.

O Debate sobre a Inflação e a Confiança

A inflação baixa, na visão de Warsh, é a “armadura” do Fed, sua proteção vital. Portanto, quando a inflação sobe — como aconteceu nos últimos anos — as pessoas sofrem. Além disso, a confiança no sistema econômico pode diminuir, fazendo as pessoas questionarem se a autonomia da política monetária realmente vale a pena.

A audiência de confirmação de Kevin Warsh perante o painel do Senado está marcada para terça-feira, às 10h, horário local.