O Teatro Iguatemi, em São Paulo, recebeu o show Zélia Duncan e Fitti. A dupla mergulhou no universo musical de Angela Maria e Cauby Peixoto. Eles buscaram a “virtude do exagero” que marcou a carreira desses ícones da música brasileira. O espetáculo trouxe de volta a intensidade das canções que moldaram um período importante. O público presenciou uma homenagem cheia de emoção e talento. Assim, a apresentação se tornou um ponto alto na agenda cultural da cidade.
Angela Maria (1929 – 2018) e Cauby Peixoto (1931 – 2016) foram símbolos de uma era. Eles representaram um Brasil sentimental, com canções cheias de drama. Suas vozes atravessaram o tempo. Elas mostram uma época onde a emoção vinha em primeiro lugar. Esses cantores fluminenses dominaram o rádio antes da Bossa Nova. Por exemplo, bolero e samba-canção eram os gêneros principais. A intensidade vocal e emocional era essencial para qualquer artista. Angela e Cauby personificaram essa “virtude do exagero”. Além disso, eles fizeram isso juntos em discos e shows. O DJ Zé Pedro criou o roteiro do show Zélia Duncan e Fitti. A atração no Teatro Iguatemi teve muitos pontos positivos. Ela cativou a audiência e consolidou o sucesso do show Zélia Duncan e Fitti.
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A Direção e os Desafios do Show Zélia Duncan e Fitti
A direção de José Maurício Machline e Giovanna Machline foi elegante. Ela alternou tons e timbres das vozes dos artistas. Zélia Duncan e Fitti enfrentaram um roteiro com muitas falas. Esse roteiro às vezes parecia didático demais. Mesmo assim, nas brechas, eles buscaram a “virtude do exagero”. Assim, a dupla conseguiu se conectar com a plateia. Isso garantiu a emoção esperada em um show Zélia Duncan e Fitti.
Zélia Duncan mostrou sua voz grave e profunda. De fato, ela evocou um registro masculino. Zélia se movimentou bem no palco. Ela começou o show cantando “Amendoim torradinho” (Henrique Beltrão, 1955). Essa canção sensual fazia parte do repertório de Angela Maria. Ney Matogrosso já havia revivido essa música com sucesso. Fitti apareceu do lado oposto da plateia. Desse modo, isso já mostrava a sofisticação da direção e o cuidado com os detalhes.
Destaques Vocais e Emocionais da Apresentação
A voz de Zélia Duncan lapidou “A pérola e o rubi” (Jay Livingston e Ray Evans, 1955). Ademais, ela cantou “Fósforo queimado” (Paulo Menezes, Milton Legey e Roberto Lamego, 1953) com energia. Zélia também traduziu bem a solidão de “Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1976). Este foi um dos momentos marcantes do show. No entanto, o canto de “Matriz ou filial” (Lúcio Car), um samba-canção, poderia ter mais drama. O show Zélia Duncan e Fitti entregou uma experiência rica.
A apresentação foi uma imersão na paixão e na intensidade desses dois grandes nomes da música. Zélia Duncan e Fitti souberam honrar o legado de Angela Maria e Cauby Peixoto. Eles mostraram que a música da era do rádio ainda emociona. O espetáculo celebrou a arte de exagerar na emoção, algo tão presente na obra dos homenageados. Portanto, o público saiu satisfeito com a força das interpretações.
