A história da primeira viagem de LSD do mundo começou por um acaso. Em abril de 1943, o químico suíço Albert Hofmann trabalhava em uma empresa farmacêutica na Basileia, Suíça. Ele mexia com uma substância que havia criado cinco anos antes. De repente, ele sentiu efeitos estranhos. Por isso, decidiu investigar mais a fundo. Três dias depois, essa curiosidade o levou a uma experiência profunda. Ela mudaria para sempre sua visão de mundo. Além disso, abriu portas para o estudo de novas substâncias.
A Criação Acidental e a Primeira Viagem de LSD
Hofmann, então com 37 anos, estudava plantas medicinais. Ele fazia experimentos com cravagem, um tipo de fungo que cresce no milho. O objetivo principal era tentar produzir um medicamento. Este remédio, por exemplo, ajudaria mulheres no pós-parto, evitando sangramentos. A substância que ele estava purificando era a dietilamida do ácido lisérgico, conhecida hoje como LSD. Assim, em 16 de abril de 1943, durante a síntese de um novo lote, Hofmann teve uma situação psíquica muito estranha. Ele descreveu um "mundo de sonhos" e uma "sensação de unicidade com o mundo".
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Ele se perguntava se aquele estado agradável, quase místico, estaria ligado aos cristais de LSD. Afinal, ele não tinha ingerido a substância de propósito. Contudo, talvez uma pequena quantidade tivesse entrado em contato com a ponta dos seus dedos. Isso indicava que o composto era muito potente. Portanto, o químico decidiu descobrir a verdade. Ele experimentaria a substância em si próprio. Ele planejou fazer isso quando voltasse ao trabalho na segunda-feira seguinte.
O Dia da Decisão: Experimentando o LSD
A segunda-feira, 19 de abril de 1943, marcou a primeira viagem de LSD planejada. Cauteloso por natureza, Hofmann começou com o que ele imaginava ser a menor dose. Esta dose seria capaz de causar algum efeito. Ele tomou 0,25 miligramas da substância. O plano era aumentar a dose apenas se nada acontecesse. No entanto, mesmo essa quantidade pequena foi muito, muito forte.
Depois de ingerir a droga, Hofmann começou a se sentir mal. Por isso, ele pediu ajuda a seu assistente de laboratório e decidiu ir para casa. O trajeto foi feito de bicicleta pelas ruas da Basileia. Ao longo do caminho, aliás, tudo foi ficando cada vez mais estranho. Sua visão ficou distorcida. Parecia que ele estava olhando para um espelho que deforma a imagem. Quando finalmente chegou em casa, seu senso de realidade havia desaparecido completamente.
As Visões e a Percepção Alterada
Ao entrar na sua sala de estar, Hofmann ficou surpreso. O ambiente parecia ter mudado por completo. Objetos comuns ganharam cores vibrantes e formas diferentes. Ele sentia uma mistura de medo e euforia. Sua vizinha, que o acompanhava, parecia uma bruxa malvada. Sua esposa chamou um médico. No entanto, o profissional não encontrou nada de errado fisicamente com ele. Portanto, o médico apenas o acalmou. Por fim, a experiência durou várias horas.
No dia seguinte, a intensidade dos efeitos diminuiu. Hofmann se sentiu renovado. Ele tinha uma nova percepção do mundo ao seu redor. Essa experiência o fez refletir, por conseguinte, sobre a natureza da consciência e a potência das substâncias psicodélicas. Assim, ele obteve novos insights.
O Legado da Descoberta do LSD
Albert Hofmann defendia que o LSD poderia ser útil na psiquiatria. Ele via potencial terapêutico para a substância. Especialmente no tratamento de certas condições mentais. Contudo, ele sempre enfatizou que a droga se torna "muito, muito perigosa" quando usada de forma irresponsável ou sem supervisão. A primeira viagem de LSD marcou, portanto, o início de uma era de pesquisa e debate sobre os psicodélicos.
A descoberta de Hofmann influenciou a ciência, a medicina e a cultura. Muitos estudos foram feitos sobre o LSD. Além disso, ele se tornou um símbolo de movimentos contraculturais. Assim, a história da sua invenção e da sua primeira experiência pessoal continua a fascinar e a gerar discussões sobre a mente humana e seus limites.
