O Irã decidiu fechar novamente o Estreito de Ormuz. A medida veio depois que os Estados Unidos mantiveram o bloqueio naval contra o país. Esta decisão reverteu uma abertura anterior e mostra a escalada da tensão na região, impactando diretamente o trânsito marítimo de petróleo. Um porta-voz militar iraniano comunicou a situação, afirmando que a passagem crucial está sob controle rigoroso das Forças Armadas iranianas.
As autoridades iranianas deixaram claro que o bloqueio naval americano aos seus portos é o motivo para o fechamento. Eles indicam que, enquanto as restrições dos EUA continuarem, o trânsito pelo Estreito de Ormuz permanecerá interrompido. Assim, a via marítima estratégica voltou a ter o controle anterior, sendo gerida de perto pelas forças militares do Irã. Esta posição já havia sido anunciada antes: se os EUA mantivessem o bloqueio, o estreito seria fechado.
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Por Que o Irã Fechou o Estreito de Ormuz?
A decisão iraniana é uma resposta direta à postura dos Estados Unidos. Na sexta-feira anterior, o presidente americano, Donald Trump, havia afirmado que o bloqueio militar dos EUA, em vigor desde o início da semana, continuaria. Isso ocorreu mesmo após o Irã ter comunicado uma reabertura total da rota. Trump usou uma rede social para dizer que só retiraria as tropas da rota após as negociações com o Irã estarem “100% concluídas”. No entanto, ele também declarou que o estreito estava “completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego”, contradizendo a manutenção do bloqueio.
Apesar da declaração de Trump, o bloqueio naval americano permanece em vigor especificamente contra o Irã. O presidente americano sugeriu que o processo de negociação seria rápido, pois a maioria dos pontos já estava discutida. Contudo, a reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais exigências dos EUA nas conversas por um acordo de paz entre os dois países. O Paquistão atua como mediador nestas negociações complexas.
Impacto Global da Decisão no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Portanto, qualquer interrupção no tráfego por este canal gera consequências imediatas no mercado global. A paralisação nas últimas semanas, por exemplo, já havia feito os preços do petróleo dispararem mundialmente. O fechamento recente pode aumentar ainda mais a instabilidade e os custos da commodity.
No cenário diplomático, a situação também mobiliza líderes internacionais. No começo da mesma sexta-feira, antes do anúncio do Irã, líderes da França, como Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, se encontraram com representantes de dezenas de outros países. Eles debateram planos para a reabertura do estreito, mas sem a presença dos Estados Unidos. A urgência dessas discussões sublinha a importância da via para a economia global.
Dados de monitoramento do transporte marítimo, como os da Kpler, mostraram que a circulação pelo estreito havia sido retomada por um breve período. Três petroleiros iranianos, por exemplo, deixaram o Golfo do Irã carregando cerca de 5 milhões de barris de petróleo bruto. Estes foram os primeiros carregamentos desse tipo desde o início do bloqueio. A rápida reversão, contudo, indica a fragilidade da situação e a dificuldade de chegar a um consenso.
