Um ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, o coronel José Augusto Coutinho, aparece em um depoimento ligado a uma investigação da Corregedoria da PM. Essa apuração busca entender a participação de policiais militares na segurança ilegal de uma empresa de ônibus que tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na capital paulista. Portanto, a citação de Coutinho acontece em um momento delicado, logo após sua saída do cargo máximo da corporação. Este caso, assim, traz à tona a complexidade da atuação de policiais e as investigações sobre o crime organizado, colocando a PM SP investigado no centro das atenções.
O depoimento em questão, aliás, faz parte de um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar. Ele investiga se PMs estão envolvidos em escolta ilegal para diretores de uma empresa de ônibus. Em outras palavras, a empresa, chamada Transwolff, é suspeita de ter laços com o PCC. Coutinho deixou seu posto na última quinta-feira (16). Sua saída pode ter relação com esta e outras investigações. Além disso, há a suspeita de que ele protegia policiais ligados ao crime organizado.
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O que diz o depoimento sobre a PM SP investigado
O sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário deu o depoimento à Corregedoria. Ele foi preso no dia 4 de fevereiro. O motivo da prisão foi fazer segurança particular para diretores da Transwolff. Romano Cezário afirmou que conversou com Coutinho em 2020. Naquele tempo, Coutinho era major da PM e comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Consequentemente, o sargento contou que Coutinho tentou convencê-lo a ficar na tropa de elite.
Romano Cezário relatou o diálogo. Ele disse: “Eu cheguei a conversar com o coronel Coutinho, major Coutinho na época. Falei assim: ‘Ó chefe. É isso, isso, isso. Assim, assim, assado’. Ele falou assim: ‘Romano, eu não posso obrigar você a sair da Rota. Por quê? Meu irmão faz bico até hoje. Meu pai sustentou a gente fazendo bico. Sabe que as coisas aí ‘tá difícil’, né? Porém, né, pelo que está aqui, tem bandido fazendo bico lá, meu, e você sabe como é que é'”. Esta fala mostra a tensão entre a necessidade e a ilegalidade da situação. Dessa forma, a discussão sobre o “bico” é central neste caso.
O “bico” e a empresa Transwolff
O “bico” é um trabalho extra feito por PMs. Contudo, a corporação proíbe e considera ilegal essa prática. O sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário fazia esse “bico” com outro colega da Rota. Ele também afirmou que teve apoio do então major Coutinho para continuar na tropa, mesmo fazendo a segurança privada. A decisão de Romano Cezário de continuar no “bico” resultou em sua dispensa da Rota. Ademais, ele havia sido cobrado por seu superior direto para deixar o trabalho na empresa de ônibus. Por exemplo, a pressão para deixar o “bico” era evidente.
A Transwolff é um dos alvos da Operação Fim da Linha. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagrou a operação em abril de 2024. Ela investiga crimes como lavagem de dinheiro, fraude em licitações públicas e organização criminosa. Os promotores apontam que a Transwolff agia para favorecer o PCC. Desse modo, a ligação da empresa com o crime organizado intensifica a gravidade da citação de um ex-chefe da PM SP investigado neste contexto.
A defesa do ex-comandante da PM SP
A defesa do coronel José Augusto Coutinho se manifestou por meio de nota. Eles afirmaram que não tiveram acesso aos autos do inquérito. No entanto, a defesa esclareceu que a simples citação em um processo investigativo não significa, por si só, responsabilidade ou envolvimento em irregularidades. Segundo eles, é uma medida comum em apurações preliminares. Esta é a posição oficial do ex-comandante diante das acusações. Por conseguinte, a situação exige uma análise cuidadosa dos fatos. Em vista disso, a transparência na investigação é fundamental.
A revelação do depoimento foi feita primeiramente pelo jornal “O Globo” e depois obtida pela GloboNews. O caso continua em andamento. De fato, ele gera discussões importantes sobre a conduta de agentes de segurança e a infiltração do crime organizado em setores públicos e privados. Nesse sentido, a investigação sobre a PM SP investigado promete novos desdobramentos.
