Anitta entregou ao público seu novo trabalho, “Equilibrivm”, um álbum que explora a conexão entre fé e música. Neste disco, a artista brasileira mergulha em sua espiritualidade, trazendo referências fortes do Candomblé e de outras crenças. No entanto, o projeto encontra desafios quando tenta agradar ao público internacional, mostrando uma perda de sua identidade mais marcante.
A Essência Brasileira em “Equilibrivm Anitta”
A relação entre fé e arte é antiga. Tim Maia, com sua fase Racional, e Madonna, com a Cabala em “Ray of Light”, são bons exemplos. Agora, Anitta segue este caminho com “Equilibrivm Anitta”, lançado recentemente. O álbum reflete suas crenças, misturando mantras, elementos indígenas e, principalmente, o Candomblé. Cantar sobre orixás não é uma novidade na música brasileira. Pelo contrário, é uma continuidade de uma longa história. Rítmicas e cantos da umbanda e do Candomblé formam a base do samba, do maracatu e do Carnaval. Muitos artistas, como Clara Nunes e Os Tincoãs, já exploraram isso. Mais recentemente, MC Tha e Majur também trilharam este caminho.
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Coragem e Alcance de Anitta
É importante notar que o trabalho de Anitta é corajoso. Em um Brasil onde a intolerância religiosa cresce, a cantora usa sua voz para falar abertamente sobre sua fé. Sua grande visibilidade permite que até pessoas de outros países pesquisem sobre o que é um terreiro. O Candomblé inspira muitas letras e aparece nos atabaques e detalhes sonoros de várias canções. Mesmo assim, o disco não soa estranho para quem não segue a religião. “Equilibrivm” é, na sua essência, um álbum que une samba, funk e até reggae com um toque pop.
Colaborações e Destaques Musicais
Anitta repete uma estratégia de sucesso, vista nos “Ensaios da Anitta”. Ela convida novos talentos da música brasileira, como Melly e Ebony, e explora os estilos de cada um. A mesma lógica vale para os produtores. Nomes como Janluska e Gabriel Duarte, conhecidos por trabalhos com Marina Sena e Anavitória, estão presentes. Além disso, Iuri Rio Branco (Luedji Luna, Liniker) e o DJ Carlos do Complexo também participam. Com uma equipe forte, Anitta entrega um começo de álbum muito bom, com um MPB agradável e cheio de suingue. A faixa “Mandinga”, com Marina Sena, se destaca. Ela faz uma brincadeira com “Canto de Ossanha”, do clássico “Os Afro-Sambas”. O sucesso de Baden Powell e Vinicius de Moraes aparece em samples e interpolações. Ainda assim, a parceria entre Anitta e Marina cria um caminho original e charmoso.
O Desafio Internacional do “Equilibrivm Anitta”
No entanto, a partir da metade do álbum, a direção muda. Anitta parece se lembrar do público de fora e o resultado começa a desviar do foco inicial. Por exemplo, a música “Varias Quejas”, uma versão em espanhol da canção do Olodum, não aproveita os pontos fortes da original. Infelizmente, o arranjo não resgata a percussão marcante do Olodum, que criaria um clima de gira, algo que combinaria muito com a proposta do disco. Outras faixas, como “So Much Love”, não trazem grandes acréscimos. “Pinterest”, um sambinha mais simples, também não impressiona tanto. Assim, o “Equilibrivm Anitta” mostra seu maior potencial quando se conecta com a cultura brasileira, mas perde força ao tentar abraçar outros mercados.
