A Polícia Federal (PF) em São Paulo investiga a influenciadora Deolane Bezerra Santos por suspeita de lavagem de dinheiro. O caso envolve um esquema que movimentou ao menos R$ 1,6 bilhão e inclui funkeiros e outros influenciadores digitais. Segundo a PF, uma organização criminosa usava o meio artístico e o ambiente digital para esconder dinheiro de apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico de drogas.
A investigação, chamada Operação Narco Fluxo, é um desdobramento de ações anteriores. Ela busca desarticular um grupo que teria ligações com o envio de mais de três toneladas de cocaína para fora do país. Recentemente, a operação prendeu os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa (da página Choquei). A suspeita é que a conta de Deolane funcionava como uma “conta de passagem”. Isso significa que o dinheiro entra e sai rapidamente, dificultando o rastreamento pelos órgãos de controle.
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A movimentação de Deolane e a lavagem de dinheiro
Entre maio e junho do ano passado, a conta de Deolane movimentou R$ 5,3 milhões, conforme um relatório da PF. Nesse período, ela recebeu R$ 430 mil da produtora de MC Ryan SP. Além disso, transferiu R$ 1,16 milhão para o Instituto Projeto Neymar Jr. e pagou mais de R$ 1,1 milhão para a empresa Sul Import Veículos.
A Polícia Federal afirma que a transferência recebida da produtora de MC Ryan não tem uma justificativa comercial clara. Isso reforça a ideia de que os dois podem estar envolvidos no mesmo circuito financeiro. Há indícios de que essa transação mostra um vínculo direto entre os investigados. A produtora de Ryan é suspeita de misturar dinheiro de shows com recursos de apostas e rifas. Esse dinheiro, segundo a PF, também irrigaria contas de aliados que enfrentam investigações parecidas por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Vale lembrar que a advogada já foi presa em outra investigação, em Recife, ligada a apostas online e empresas de fachada.
Detalhes da Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo tem como objetivo desmantelar essa organização criminosa. O grupo é suspeito de lavar mais de R$ 1,6 bilhão. Esta ação é uma continuação de investigações anteriores, como as operações Narco Vela e Narco Bet. Essas operações já apuravam o uso de apostas e empresas para esconder dinheiro do tráfico internacional de drogas. Mais de 200 policiais federais participaram da operação. Eles cumpriram 33 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. As ações ocorreram em oito estados e no Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados. Carros de luxo, dinheiro e relógios caros, como Rolex, foram apreendidos durante a operação. A investigação segue para entender a extensão total do esquema e identificar todos os envolvidos.
