Célia Maria Cassiano, uma brasileira, buscou na Suíça o direito de terminar sua vida. No dia 15 de abril, ela tomou uma substância prescrita e faleceu sem dor. Este ato, conhecido como suicídio assistido, é permitido no país europeu sob certas condições. Além disso, Célia enfrentava uma doença neurodegenerativa grave que tirava sua autonomia, e sua escolha reflete um debate importante sobre a morte digna e a legislação brasileira.
Na Suíça, o processo de suicídio assistido segue regras claras. Após a morte, a polícia vai ao local para verificar todos os documentos. Eles confirmam que a pessoa deu seu consentimento de forma livre e que o procedimento é legal. Em seguida, o corpo passa por perícia e depois é cremado. Contudo, para ter acesso a este serviço, a pessoa precisa atender vários requisitos médicos e legais. Adicionalmente, há um custo alto, cerca de 65 mil reais (11 mil francos suíços).
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A Luta de Célia pela Autonomia
Célia Maria Cassiano dedicou sua vida aos estudos e às artes. Ela era mestre em Multimeios pela Unicamp e formada em Ciências Sociais. Trabalhou muito na área acadêmica, dando aulas e ajudando alunos. Aos 67 anos, em 2025, Célia recebeu um diagnóstico difícil. Ela descobriu uma doença neurodegenerativa que ataca os movimentos e a fala, mas mantém a consciência intacta. Assim, o corpo dela falhava, mas sua mente sabia de tudo.
Ela não queria depender totalmente de outras pessoas, nem ficar presa a aparelhos. Nos últimos meses, essa perda de autonomia virou parte de sua rotina. Célia relatou que precisava de três pessoas apenas para ir ao banheiro. “Eu estou no limite da minha dignidade”, afirmou. Por isso, a decisão de acabar com a própria vida veio depois de um longo processo. Ela decidiu lutar pelo seu direito de ter uma morte digna.
Suicídio Assistido: Um Caminho Sem Volta no Brasil
No Brasil, a lei não permite nenhuma forma de morte assistida. Existem duas principais práticas: o suicídio assistido, onde a pessoa mesmo toma a substância, e a eutanásia, onde um profissional faz o procedimento. Nenhuma delas é legalizada aqui. Luciana Dadalto, advogada especialista em direito médico e presidente da associação “Eu Decido”, explica essa situação.
Segundo ela, a falta de leis impede que quem deseja essa escolha tenha um caminho formal no país. A associação “Eu Decido” defende a autonomia dos pacientes sobre suas decisões de fim de vida. Portanto, sem regras claras, instituições ou apoio legal, o assunto fica só na teoria. Existem algumas discussões no Judiciário, mas ainda não há casos que criem um precedente forte no Brasil.
A Busca Internacional por um Direito
Diante da falta de legislação no Brasil, quem decide seguir por este caminho precisa viajar para outros países. A Suíça é um dos poucos lugares no mundo que permite o suicídio assistido sob regras estritas. Desse modo, para pessoas como Célia, que buscam exercer sua autonomia e ter uma morte digna, a saída internacional se torna a única opção prática. Este cenário levanta questões importantes sobre os direitos individuais e o debate ético e legal em torno do fim da vida. A história de Célia Maria Cassiano mostra a complexidade do tema e a urgência de uma discussão mais aprofundada na sociedade brasileira.
