Um empréstimo bilionário para socorrer o Banco de Brasília (BRB) gerou um parecer crítico do Procurador-Geral do Distrito Federal, Márcio Wanderley. Este documento, que apontou várias preocupações sobre a legalidade e os riscos da operação, não agradou a governadora Celina Leão. Por isso, a análise da Procuradoria-Geral do DF (PGDF) é vista como o motivo para a saída de Wanderley do cargo, fato que o g1 noticiou recentemente.
O parecer da PGDF destacou problemas sérios. Entre eles, a possibilidade de desrespeitar pelo menos dois artigos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Além disso, o órgão indicou uma possível “confusão” entre os bens do BRB e os do próprio governo do Distrito Federal, que é o seu principal acionista. O g1 e a TV Globo tiveram acesso a este documento, que foi escrito para responder a uma consulta feita pelo próprio banco.
Leia também
Os Pontos Chave do Parecer sobre o Empréstimo BRB
A Procuradoria-Geral do DF respondeu a uma solicitação do BRB, que pedia uma “análise jurídica” e “providências” para formalizar o pedido de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Contudo, a equipe de Márcio Wanderley questionou a própria legitimidade do BRB para fazer essa consulta. Afinal, o banco possui sua própria assessoria jurídica e não faz parte da administração direta do governo.
No documento, a PGDF foi clara. Se o governo do DF decidisse assumir a responsabilidade de pagar o empréstimo, ele deveria fazer isso “de forma clara”, mostrando os motivos legais e societários. O parecer também recomendou uma análise séria sobre a capacidade do governo de realizar a operação de crédito, considerando o que dizem os artigos 32 e 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Entenda a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Empréstimo BRB
O artigo 32 da Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece as regras para que um governo, seja ele municipal, distrital, estadual ou federal, possa contratar um empréstimo. Esta lei exige, por exemplo, que o governo demonstre o custo-benefício da operação, comprove que ela tem interesse econômico e social e que respeite os limites legais de endividamento. O parecer da PGDF sugere que o plano do GDF para o **Empréstimo BRB** poderia não atender a esses requisitos.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal já havia autorizado o governo a usar imóveis públicos como garantia para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Estes imóveis deveriam formar um fundo imobiliário, que ainda não foi oficializado. Inicialmente, o governo pediu R$ 4 bilhões ao FGC, mas depois começou a falar em R$ 6,6 bilhões. Especialistas do mercado acreditam que o valor necessário para o aporte pode ser ainda maior.
O g1 buscou um posicionamento do governo do Distrito Federal sobre o parecer e a saída de Márcio Wanderley, mas não obteve resposta. Este episódio mostra a complexidade das finanças públicas e a importância de seguir as leis para garantir a saúde econômica do estado. A discussão sobre o **Empréstimo BRB** continua, e seus desdobramentos são importantes para a gestão dos recursos públicos.
