A Realidade da Guerra no Irã: Relato Chocante do Embaixador Brasileiro

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, relata a dura realidade do conflito no Irã, com explosões, tremores e a morte de civis, desmistificando a ideia de que a guerra é algo distante ou simulado.

O conflito no Irã traz uma realidade dura, bem diferente do que se vê em telas. André Veras Guimarães, embaixador do Brasil em Teerã, sentiu na pele os primeiros dias da guerra. Ele mora no último andar de um prédio e viu de perto os bombardeios dos Estados Unidos e Israel. Frequentemente, acordar com estrondos e paredes tremendo virou rotina. O diplomata presenciou explosões e a destruição de prédios. “Ninguém passa ileso por isso”, ele contou à BBC News Brasil, descrevendo o cenário de 46 dias de guerra. Assim, essa experiência mostra a face real e devastadora de um confronto armado.

O embaixador André Veras Guimarães, de 59 anos, perdeu a conta de quantas vezes despertou de madrugada com o barulho forte das explosões. Ele via, da sua janela, a destruição acontecer. Para ele, a guerra está longe de ser algo simulado. As estimativas do governo iraniano apontam para mais de 3.500 iranianos mortos. Esses ataques, apesar de toda a tecnologia usada, como satélites e detectores de calor, não são precisos. Pelo contrário, eles causam um estrago muito maior do que o alvo inicial.

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Mortes e Destruição no Conflito no Irã

Quando uma autoridade iraniana é atingida, outras 15 pessoas morrem junto. Muitos ficam feridos e várias estruturas são destruídas. Veras deu um exemplo marcante: a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, em Minab. No primeiro dia da guerra, um míssil americano acertou a escola, matando 175 pessoas, a maioria meninas. O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não saber nada sobre o incidente. Portanto, este caso realça a brutalidade e a falta de precisão dos ataques, que frequentemente atingem civis inocentes.

O diplomata critica o termo “dano colateral”. Para ele, é uma forma de tentar amenizar a violência e dar um ar humano à guerra. Dano colateral, na visão de Veras, é a destruição de prédios que não eram o objetivo principal. São os feridos e os mortos. Ou seja, é um hospital atingido porque algo ao lado foi bombardeado. São universidades e casas de professores e cientistas que viram alvos. Ele enfatiza a importância de não aceitar a normalização de atos que ninguém gostaria de ver em seu próprio país.

Impacto Humano do Conflito no Irã

Um estudo do jornal The New York Times, usando imagens de satélite e vídeos de mídias sociais, mostrou a extensão dos estragos. Desde o início da guerra, 22 escolas e 17 instituições de saúde foram danificadas. No entanto, o número real de destruição pode ser ainda maior. A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, uma das principais organizações de ajuda humanitária do país, já havia alertado em 2 de abril sobre a gravidade da situação. A vida de milhares de pessoas é impactada diariamente por essa realidade violenta, que vai muito além dos números e estatísticas. Além disso, a rotina de medo e incerteza toma conta das cidades, deixando marcas profundas na população.