Medo da Inteligência Artificial no Trabalho Leva Profissionais a Exagerar

O avanço da inteligência artificial gera medo no mercado de trabalho. Muitos profissionais respondem trabalhando mais, mas especialistas alertam que essa não é a melhor estratégia. Entenda os impactos e o que realmente funciona para garantir seu futuro.

A chegada da inteligência artificial no trabalho tem mudado o jeito como muitas pessoas encaram suas carreiras. A tecnologia avança rápido. Além disso, algumas demissões acontecem, principalmente em empresas de tecnologia. Por isso, muitos profissionais aumentam o ritmo. Eles trabalham mais horas, fazem menos pausas e tentam mostrar que são importantes. Uma pesquisa recente mostra que essa preocupação leva a um esforço grande, mas nem sempre eficaz.

Profissionais em vários setores, especialmente no da tecnologia, sentem essa pressão. Eles buscam demonstrar seu valor no mercado. Assim, muitos aumentam a carga de trabalho. A plataforma Resume.io fez uma pesquisa com mais de 3 mil pessoas. Os dados indicam um fato: para parecerem mais relevantes diante da ascensão da inteligência artificial, os empregados trabalham cerca de 2 horas e 24 minutos extras por semana. Isso soma quase 125 horas a mais a cada ano. Essa escolha se manifesta em mais tempo no escritório, almoços mais curtos e o que chamam de “teatro da produtividade”.

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O Impacto da Inteligência Artificial no Trabalho Diário

Especialistas explicam que essa reação à tecnologia nem sempre funciona bem. Ela pode até gerar um efeito contrário ao desejado. Thiago Genaro, psiquiatra da Conexa, afirma que mais trabalho não garante a segurança do emprego. Ele diz: “Trabalhar horas a mais não garantirá postos de trabalho”. Para Genaro, a incerteza sobre o futuro da inteligência artificial no trabalho leva alguns trabalhadores a uma estratégia que não acompanha as transformações do mercado. De fato, ele vê que o mercado valoriza menos “quanto se trabalha” e mais “como e para quê se trabalha”.

Emilio Salcedo, especialista em tecnologia da RS Systems, completa essa visão. Ele aponta que a insegurança aumenta pela forma como a tecnologia entra nas empresas. Embora a IA ajude a diminuir tarefas repetitivas, ela também pode elevar a pressão por resultados. Isso acontece quando as metas e expectativas de desempenho não são revisadas. Portanto, a simples dedicação extra, motivada pela inteligência artificial, nem sempre resolve a questão. Além disso, pode causar mais estresse.

Como a Inteligência Artificial no Trabalho Muda o Comportamento

A pesquisa da Resume.io também detalha as mudanças de comportamento dos trabalhadores por causa da inteligência artificial no trabalho. Eles fazem ajustes no dia a dia. Muitos respondem a mensagens fora do horário de expediente. Além disso, diminuem as pausas e pegam tarefas extras sem que o contrato mude. Um sinal claro dessa intensificação do trabalho é o tempo dedicado ao almoço. Para 55% dos entrevistados, o intervalo diminuiu no último ano. A maioria liga essa redução à necessidade de se manter produtiva e visível. Frequentemente, essa percepção é equivocada.

A Cultura do “Parecer Ocupado”

Em um ambiente onde a eficiência da tecnologia redefine o que se espera, descansar parece um risco. Outro comportamento comum é o “teatro da produtividade”. Nele, empregados sentem que precisam “parecer ocupados” para mostrar seu valor. Segundo os dados, 67% dos trabalhadores disseram sentir essa necessidade. Eles adotam atitudes para se mostrar ocupados. Por exemplo, mantêm o status online sempre ativo, respondem a mensagens na hora e prolongam tarefas simples. Contudo, essa lógica tende a perder força com o tempo. Afinal, a qualidade importa mais.

Estratégias para Lidar com a Inteligência Artificial

O foco deve estar no desenvolvimento de novas habilidades para lidar com a inteligência artificial. Adaptar-se às ferramentas de IA é mais útil. Assim, o profissional pode complementar a tecnologia. Investir em aprendizado contínuo e em funções que a IA não faz bem é um caminho melhor. Desse modo, a segurança no emprego aumenta de verdade. Portanto, a estratégia é evoluir, não apenas trabalhar mais. Por fim, a saúde mental também conta. É fundamental buscar um equilíbrio.