A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado terminou os trabalhos sem analisar todas as declarações de imposto de renda do Banco Master. A Receita Federal enviou os documentos, mas a análise completa não aconteceu. Entre 2022 e 2025, o banco movimentou R$ 7,3 bilhões, distribuindo este valor para quase 3 mil pessoas e empresas. Agora, a CPI pede que outros órgãos, como a Polícia Federal, continuem a investigar essas transações.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI, instalada em novembro do ano passado, incluiu essas movimentações financeiras em seu relatório final. Ele apresentará e votará o parecer no último dia da comissão. Vieira quer que as apurações sobre o Banco Master se aprofundem. De acordo com o senador, o relatório vai conter todas as informações acessadas e analisadas. Aquilo que é apenas um início de investigação ou um dado importante vai para o documento com a solicitação de mais detalhes no futuro.
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Entenda as Transações do Banco Master
As declarações de imposto de renda do Banco Master mostram centenas de pagamentos para empresas e pessoas físicas. A reportagem buscou as partes que receberam os maiores valores. Todas as empresas e pessoas ouvidas confirmaram ter prestado algum tipo de serviço à instituição financeira.
O valor total de R$ 7,3 bilhões foi dividido da seguinte forma: R$ 6,7 bilhões para empresas e R$ 584 milhões para pessoas físicas. Além disso, os rendimentos de pessoas jurídicas e físicas em aplicações financeiras no banco somaram R$ 3,3 bilhões. Os salários e pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) dos funcionários do Master chegaram a R$ 491 milhões.
Conexões e Nomes Envolvidos no Caso Banco Master
No dia 8 de abril, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o Banco Master pagou mais de R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. Ela é esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O escritório Barci de Moraes não confirmou as informações. Eles afirmaram que os dados teriam sido vazados de forma ilegal.
O jornal O Globo, também em reportagem de 8 de abril, divulgou outro nome. Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos dois primeiros governos Lula e ex-ministro da Fazenda de Michel Temer, recebeu R$ 18,4 milhões entre 2024 e 2025. Meirelles informou em nota que tinha um “contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo” no período. A reportagem do Globo também mencionou o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, em relação a essas transações.
O Futuro das Investigações sobre o Banco Master
A CPI do Crime Organizado encerra suas atividades, mas o caso do Banco Master continua aberto. As investigações sobre as movimentações financeiras do banco e seus repasses bilionários precisam de continuidade. A solicitação do senador Vieira para que a Polícia Federal e outros órgãos aprofundem a análise é um passo importante. Portanto, o desfecho dessas apurações ainda está por vir. A sociedade aguarda respostas sobre a legalidade e a finalidade de tantos pagamentos e transações. É essencial acompanhar os próximos passos para entender o cenário completo.
