Muitas pessoas falam sobre homens sofrerem mais com a gripe. Histórias populares dizem que eles têm sintomas mais fortes e levam mais tempo para se recuperar. Mas o que a ciência realmente mostra? Especialistas esclarecem que a ideia de uma “gripe masculina” não tem prova científica real. Esta crença, comum nas redes sociais, muitas vezes interpreta mal o que a biologia demonstra. Então, vamos entender se essa noção popular se sustenta.
A Falsa Evidência da Gripe Masculina
A ideia de que homens possuem uma “gripe masculina” exclusiva não é nova. Por anos, as pessoas brincaram sobre homens exagerarem os sintomas da gripe. Contudo, recentemente, essa brincadeira virou um suposto fato científico online. Publicações citaram um artigo do British Medical Journal (BMJ) como prova. No entanto, este texto específico fazia parte de uma edição de Natal, conhecida por trazer peças humorísticas e satíricas. Portanto, não era um estudo científico sério. O autor, inclusive, ironizou a “man flu”, sugerindo que homens poderiam agir como se estivessem mais doentes para economizar energia. Vale ressaltar que isso não possui qualquer base científica.
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A infectologista Luana Araujo confirma: “Quem usa isso como evidência não leu o texto. É uma peça irônica, não um artigo científico. Dizer que isso reflete a fisiologia humana é uma extrapolação sem base.” Assim, a suposta “evidência” da gripe masculina se revela uma interpretação equivocada de um conteúdo humorístico.
Mito da Resposta Imunológica Diferente
Discussões nas redes sociais também afirmam que homens têm uma resposta imunológica pior ao vírus da gripe. Elas sugerem que homens demoram o dobro do tempo para se recuperar em comparação com as mulheres. Entretanto, isso não é verdade. Especialistas, como o infectologista Renato Kfouri, afirmam que não há diferenças reais na forma como o corpo de homens e mulheres combate o vírus. Ambos produzem anticorpos de maneira similar. Além disso, a resposta às vacinas contra a gripe é igual para todos, independentemente do sexo. Dessa forma, argumentos biológicos para uma “gripe masculina” distinta não encontram suporte em dados médicos.
Comportamento e a Gripe em Homens
Se a biologia não explica as diferenças percebidas, o que as explica? Especialistas apontam para fatores comportamentais e sociais. Luana Araujo, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que mulheres, muitas vezes, mantêm suas rotinas diárias mesmo quando estão doentes. Isso pode gerar a impressão de uma recuperação mais rápida. É, portanto, uma questão social, na qual a mulher pode não ter o mesmo espaço ou oportunidade para o cuidado e o descanso. Este aspecto social, mais do que uma característica biológica, pode influenciar como homens e mulheres vivenciam e lidam com doenças como a gripe.
A Gripe no Cenário Atual
Enquanto desmentimos o mito da “gripe masculina”, é importante observar a situação atual da gripe. Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pela influenza quase dobraram no Brasil. Segundo o Instituto Todos pela Saúde, foram registrados 3.584 casos até meados de março de 2026. Este dado mostra a importância da vacinação e dos cuidados para todos, sem distinção de sexo, a fim de evitar complicações sérias da gripe. Assim, a prevenção e o tratamento adequado são cruciais para a saúde de toda a população.
