Minas Gerais enfrenta um cenário preocupante. Entre janeiro e o início de abril deste ano, o estado registrou uma média de 97 denúncias de violência contra crianças e adolescentes por dia. Ao todo, este número totaliza 9.320 queixas ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, via Disque 100. Assim, isso representa um aumento de quase 14% em comparação com o ano passado. A maioria desses casos chocantes acontece dentro de casa. De fato, os próprios pais são os principais suspeitos, o que expõe uma realidade dolorosa para a proteção infantil.
Os dados revelam a amplitude do problema. As denúncias de violência contra crianças e adolescentes em Minas Gerais representam quase metade de todas as queixas recebidas pelo canal no estado. Para ilustrar, em 6.396 dos registros, o pai ou a mãe aparecem como suspeitos. Portanto, isso aponta para a urgência de olhar para o ambiente familiar como principal foco de atenção e intervenção.
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A morte de um bebê de um ano e oito meses em Belo Horizonte, ocorrida em uma terça-feira recente, trouxe ainda mais atenção para o aumento da violência contra crianças. A equipe médica da UPA Oeste atendeu a criança já sem vida. Durante o atendimento, notaram hematomas, sangramentos, um olho roxo e sinais de desnutrição. O padrasto, que levou o menino ao hospital, alegou que ele havia se engasgado.
O Impacto da Violência contra Crianças no Cotidiano
A polícia agiu rápido e prendeu o padrasto e a mãe em flagrante. A Justiça converteu a prisão em preventiva, sem prazo definido. O homem, de 32 anos, responderá por homicídio qualificado. A mãe, de 26, responderá por maus-tratos com resultado em morte. Aliás, ela havia dado à luz outro filho um dia antes de ser presa. Uma irmã do bebê falecido, de quatro anos, agora está sob os cuidados do Conselho Tutelar. Em suma, este caso específico é um exemplo claro de como a violência infantil pode ter consequências trágicas e irreversíveis.
Lucas Lopes, secretário executivo da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, ressalta que proteger este grupo é um dever de todos. “É uma vigilância social em que todo mundo tem a responsabilidade”, ele afirma. “Diante de qualquer suspeita de violência, não preciso ter a confirmação, é importante realizar a denúncia. Afinal, é através da denúncia que o Conselho Tutelar e os serviços de proteção vão poder chegar a essa família e identificar o que está acontecendo.”
Prevenção e Combate à Violência Infantil
Lopes também destaca a necessidade de mais ações preventivas. Ele observa que, no Brasil, as pessoas geralmente têm receio de denunciar. Além disso, ele cobra dos governantes – em nível municipal, estadual e federal – que o país tenha mais políticas públicas para proteger crianças e adolescentes. Sobretudo, ele pede políticas de prevenção. O objetivo é claro: “Precisamos chegar na proteção antes que a violência aconteça”. Isso significa investir em programas de apoio familiar, educação e conscientização para evitar que casos como os de Minas Gerais se repitam.
A luta contra a violência contra crianças exige um esforço conjunto da sociedade e do poder público. Aumentar as denúncias é um passo importante. Contudo, é fundamental que haja estruturas de acolhimento e investigação eficazes para garantir a segurança dos pequenos. Dessa forma, cada cidadão pode contribuir para que Minas Gerais e o Brasil construam um futuro mais seguro para suas crianças e adolescentes.
