O novo álbum de Luísa Sonza, intitulado Brutal paraíso, chegou ao público com 23 músicas e quase 70 minutos de duração. O trabalho foi lançado antes de sua apresentação no festival Coachella. Ele gerou comentários diversos. Muitos fãs e críticos receberam o disco sem grande entusiasmo. Eles apontaram para a quantidade de faixas e a variedade de ideias como um possível desafio para a cantora de 27 anos. A expectativa em torno do lançamento foi alta, mas a recepção inicial mostrou um público dividido.
Os Excessos por Trás de Brutal paraíso
Desde sua divulgação, Brutal paraíso chamou atenção pelo marketing intenso. Muitos o consideraram exagerado. Além disso, o álbum se destaca por uma coleção de referências musicais e culturais. Por exemplo, há citações da música “Pena verde”, de Abílio Manoel, na faixa “Santa maculada”. A obra de Nelson Rodrigues também inspira a canção “A vida como ela é”. A batida eletrônica de “Loira gelada”, por sua vez, remete ao sucesso do RPM. Contudo, essa mistura, embora ambiciosa, tornou o disco um tanto difuso. Seu conceito nem sempre se encaixa bem.
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A Ambição e a Duração de Brutal paraíso
A pretensão artística é um ponto a ser notado. Afinal, não há problema em um artista buscar grandes ambições. No entanto, neste caso, a quantidade de informações e a longa duração do álbum podem ter contribuído para uma experiência cansativa. Além disso, isso é especialmente verdade para o público jovem, acostumado com um consumo rápido de conteúdo digital. Portanto, o excesso se manifesta não apenas no número de faixas, mas também na densidade de ideias e na complexidade das referências presentes em Brutal paraíso.
Entre Bossa Nova e o Funk: O Conceito de Brutal paraíso
Em sua essência, o álbum Brutal paraíso tenta fazer uma ponte entre a bossa nova e o funk. Luísa Sonza já havia explorado a bossa no disco anterior, “Bossa sempre nova”. De fato, o single “Fruto do tempo” já indicava essa direção. Contudo, o novo trabalho não consegue estabelecer claramente a ideia de que a bossa nova representa um “paraíso perdido”. E o funk, a “brutalidade de um mundo em decadência”. Por exemplo, a música “Amor, que pena!”, com uma pegada mais bossa nova, já mostra um certo desencanto. Ela mistura essas ideias desde o começo. Assim, há um paradoxo.
O Universo Distópico de Luísa Sonza
O disco se abre com a vinheta “Distrópico”. Ela usa sons de mar e brinca com as palavras “distópico” e “trópico”. Isso dá uma pista sobre o universo que a cantora quer criar: um mundo de distopia. Assim, a narrativa musical se move da bossa nova, como na parte inicial de “E agora?”, que conta com a participação do rapper Xamã, para um funk carregado de erotismo. Por conseguinte, as faixas exploram essa dualidade musical e temática. Elas refletem um universo complexo e, por vezes, contraditório. Dessa forma, a obra se torna multifacetada.
Faixas Marcantes de Brutal paraíso
Dentro das 23 faixas, algumas se destacam por sua abordagem mais explícita e erótica. Isso é especialmente notável no campo do funk. “Tropical paradise”, “Safada” (gravada com a cantora porto-riquenha Young Miko), e “Sonhei contigo” (com MC Meno e MC Morena) são exemplos claros. Esta última, inclusive, mistura versos em inglês com a letra em português. Assim, ela adiciona mais uma camada à complexidade do repertório. Além disso, o álbum mostra um lado provocativo. Por exemplo, isso está presente em muitos dos trabalhos visuais da artista. De fato, a estética visual complementa a sonoridade.
O Legado e a Reafirmação da Artista
Apesar das críticas sobre os excessos, Brutal paraíso é um trabalho que demonstra a ambição de Luísa Sonza em experimentar. Ela mistura diferentes gêneros e conceitos. O resultado é um álbum denso. Ele convida o ouvinte a uma imersão em suas diversas camadas. Portanto, mesmo com a recepção mista, o disco certamente provoca discussão. Além disso, ele reafirma a posição da artista no cenário pop brasileiro. Contudo, ela busca sempre inovar e desafiar as expectativas. Assim, sua obra se mantém relevante.
