Morte de Mulher pela PM em SP: Defesa Alega Legítima Defesa

A morte de mulher pela PM em São Paulo, Thawanna da Silva Salmázio, em 3 de abril, está sob investigação. A policial militar Yasmin Cursino Ferreira alega legítima defesa, enquanto a Polícia Civil apura a demora no socorro à vítima.

A morte de mulher pela PM em São Paulo, Thawanna da Silva Salmázio, na madrugada de 3 de abril, está sob investigação. A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, que fez o disparo, alega legítima defesa. A Polícia Civil, porém, apura a demora no socorro à vítima, um ponto que especialistas consideram decisivo para o resultado. Este caso levanta questões sobre a atuação da polícia e a eficiência dos serviços de emergência na capital paulista.

A Defesa da Policial Militar

A defesa da policial militar Yasmin Cursino Ferreira sustenta que sua cliente agiu conforme a lei. O advogado Alexandre Guerreiro argumenta que a PM estava em serviço e foi agredida. Por isso, para parar as agressões da vítima, ela efetuou um único disparo. Segundo o advogado, a equipe de policiais chamou o socorro imediatamente e informou as autoridades, mostrando que não houve intenção de omissão.

PUBLICIDADE

O Disparo e a Reação no Local

Uma série de registros oficiais e imagens de câmeras corporais, acessadas pela TV Globo, detalha os momentos importantes. Às 2h59, a câmera do soldado Weden Silva Soares captou o som do tiro dado pela PM Yasmin. Na sequência, com Thawanna ainda no chão, o soldado questionou a colega: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê?” A policial respondeu: “Ela deu um tapa na minha cara.” Segundos depois, o próprio soldado chamou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), pedindo resgate. Ele reforçou o pedido pouco depois, solicitando socorro para uma “menina baleada” na Rua Edimundo Audran.

Demora no Resgate da Vítima

Apesar dos pedidos rápidos do policial, o Copom acionou a central do Corpo de Bombeiros somente às 3h04, ou seja, cerca de cinco minutos após a primeira solicitação. Nesse intervalo importante, o soldado reiterou o pedido de socorro. Às 3h06, uma viatura de resgate dos Bombeiros foi inicialmente mobilizada para a ocorrência. Contudo, seis minutos mais tarde, às 3h12, essa ambulância foi substituída por outra. Durante esse período de espera, o policial expressou preocupação com o tempo, observando: “O resgate vai demorar? Já está ficando branco o lábio dela. Cadê o resgate? Copom, reitera o resgate pra Edimundo Audran.”

A segunda ambulância designada para o caso saiu da base às 3h17. Ela chegou ao local às 3h30, aproximadamente 30 minutos depois do chamado inicial por socorro. Às 3h37, a ambulância partiu do local. A viatura, portanto, chegou ao hospital às 3h40, apenas três minutos após deixar a ocorrência. No entanto, a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio não resistiu aos ferimentos e faleceu na unidade de saúde.

Impacto da Demora na Sobrevivência

De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), a morte de mulher pela PM foi causada por hemorragia interna aguda. A médica responsável pelo exame necroscópico apontou que a perda intensa de sangue, provocada pelo disparo, foi a causa principal. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmaram que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro de Thawanna. Isso ocorreu porque o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro, um procedimento essencial para conter a hemorragia e aumentar as chances de sobrevivência. A investigação agora busca entender se essa demora foi negligência e qual seu real impacto no desfecho.