Na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán enfrenta seu maior desafio político em 16 anos. Após várias vitórias eleitorais, um ex-aliado pode tirá-lo do poder. Péter Magyar, antes próximo de Orbán, lidera agora a oposição com um novo partido. Por conseguinte, este cenário mostra uma mudança importante na política da Hungria.
Magyar, de 45 anos, era um membro do partido Fidesz e parte do círculo íntimo de Orbán. Contudo, ele rompeu com o governo há dois anos. Desde então, ele renovou o partido Tisza, de centro-direita. As pesquisas independentes, por exemplo, apontam Magyar com uma vantagem de cerca de 13 pontos. Sua antiga ligação com o premiê, somada às acusações de corrupção contra o governo, deu a ele credibilidade entre os húngaros. Assim, isso acelerou sua ascensão na política.
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Críticas ao Sistema na Hungria de Orbán
Magyar conhece bem os detalhes do Fidesz. Ele defende a mudança e suas críticas a Orbán agradam eleitores cansados da corrupção. A Hungria está em último lugar na União Europeia em um ranking da Transparência Internacional. O instituto sueco V-Dem, por exemplo, descreve o país como uma autocracia eleitoral. Isso ocorre porque a Constituição, o Judiciário, a mídia e outras instituições são controladas pelo Estado. Além disso, a situação econômica também gera insatisfação. Salários parados, custo de vida alto e denúncias de enriquecimento ilícito de funcionários do Fidesz irritam a população.
Magyar soube usar essa insatisfação. Ele se manteve longe de temas delicados, como a perseguição à comunidade LGBTQIA+. O opositor tem um perfil conservador e é firme contra a imigração. Ele prometeu manter a barreira na fronteira sul do país. Ademais, ele se compromete a restaurar o Estado de Direito. Isso inclui, por exemplo, garantir a independência dos tribunais, a liberdade de imprensa e das universidades.
Desafios para a Política na Hungria
Embora não seja totalmente a favor da União Europeia, Magyar quer refazer os laços com o bloco. Ele busca a liberação de cerca de 17 bilhões de euros em fundos. Esses valores foram bloqueados devido a violações das regras comunitárias pela Hungria. No entanto, a vitória de Magyar e as mudanças prometidas não são garantidas. Ele precisaria de maioria absoluta no Parlamento para alterar a Constituição.
O sistema eleitoral foi feito para beneficiar o Fidesz. Pesquisadores do think tank Council on Foreign Relations, Liana Fix e Benjamin Harris, explicam isso. Eles afirmam que Orbán manipulou distritos e regras para favorecer seus eleitores. Assim, partidos de oposição enfrentam uma luta mais difícil. Na Hungria, os debates televisivos foram abolidos. Consequentemente, isso limita o espaço para oponentes. Em suma, a situação política na Hungria segue incerta, com desafios grandes para qualquer um que tente mudar o cenário atual.
