Algumas cidades do Rio de Janeiro alcançaram uma marca importante: mais de um ano sem registrar casos de feminicídio. Enquanto o Brasil vê um aumento nesse tipo de crime, a atuação conjunta de serviços de proteção tem sido essencial para evitar a morte de mulheres no estado. Para as vítimas, romper o ciclo de violência ainda é o maior desafio.
A estilista Loren Stainff, mãe de dois filhos, é um exemplo de sucesso. Ela conseguiu sair de um relacionamento abusivo depois de procurar ajuda em um Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) em Niterói. “Cheguei aqui com muitos problemas, sem me cuidar, sem me ver, totalmente perdida. Pedi ajuda jurídica e encontrei todo o suporte”, ela relatou. O apoio que esses centros oferecem tem sido vital para outras mulheres na cidade.
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Avanço no Combate ao Feminicídio RJ
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que vários municípios fluminenses estão há um tempo considerável sem registros de feminicídio. Macaé está há 16 meses, Nova Iguaçu e Belford Roxo há 13 meses, enquanto Niterói e Tanguá completaram 12 meses sem ocorrências. Esses números são animadores, pois indicam que as estratégias de proteção estão gerando resultados positivos.
Apesar disso, é importante notar que ainda existem tentativas de feminicídio nessas localidades. No mesmo período, Macaé teve nove casos, Nova Iguaçu registrou 19, Belford Roxo contabilizou 10 e Niterói seis. Tanguá, por sua vez, não teve nenhuma tentativa registrada em um ano. Portanto, a vigilância e o suporte contínuo são cruciais.
Rede de Apoio: Um Escudo contra a Violência
A subnotificação ainda é um grande problema para as autoridades. Por isso, quando uma vítima busca uma delegacia, a resposta precisa ser rápida e eficaz. A coordenação da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal explica que o atendimento começa no primeiro contato. “Nós fazemos o primeiro acolhimento dessas mulheres. Se ela faz a queixa, a polícia pede nosso apoio. Encaminhamos para o IML, hospital, trazemos para o Ceam e continuamos acompanhando”, detalhou a coordenadora Francini Lima.
Este trabalho faz parte de um sistema de proteção integrado, que reúne vários serviços. Além do suporte psicológico e jurídico, o apoio financeiro é considerado fundamental para que a vítima consiga se afastar do agressor. Em Niterói, por exemplo, mulheres que são atendidas pela rede podem receber um auxílio de cerca de R$ 1.500. O benefício dura seis meses, com possibilidade de prorrogação.
De acordo com a Secretaria Municipal da Mulher, o acesso a este programa depende de uma avaliação e de critérios específicos. Além da ajuda financeira, as beneficiárias participam de cursos de capacitação e programas de formação profissional. “Nós acompanhamos essa mulher em toda a sua jornada para romper os ciclos de violência, porque sabemos que a dependência econômica é uma grande barreira”, afirmou a secretária Thaiana Ivia Pereira. Assim, a independência financeira se torna uma ferramenta poderosa no combate ao feminicídio RJ.
Especialistas reforçam que a combinação de diferentes frentes de apoio — jurídico, psicológico e econômico — cria uma rede de segurança mais forte. Isso ajuda a mulher a se sentir segura para denunciar, a ter condições de sair de casa e a reconstruir sua vida sem medo. Portanto, o sucesso em algumas cidades do RJ mostra que investir em políticas públicas integradas faz a diferença na vida das mulheres.
