A Justiça manteve a suspensão do imposto de exportação de petróleo para grandes empresas estrangeiras no Brasil. Esta decisão judicial beneficia algumas das principais petroleiras que atuam no país, impedindo a cobrança de um tributo que o governo federal havia instituído. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou um recurso da União, confirmando a liminar anterior. Isso significa que, por enquanto, o governo não pode cobrar este imposto de exportação de petróleo das companhias afetadas.
A desembargadora Carmen Silvia Lima de Arruda, responsável pela decisão, explicou a manutenção da liminar. Ela afirmou que o governo não apresentou provas de um perigo real e urgente que justificasse a cobrança imediata do imposto. Para a Justiça, não existe problema em esperar o julgamento final do caso. Esta situação mostra um impasse entre o desejo do governo de arrecadar e a argumentação das empresas sobre a legalidade da cobrança deste imposto de exportação de petróleo.
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As Empresas e o Impacto do Imposto de Exportação de Petróleo
Cinco grandes petroleiras estrangeiras conseguiram a suspensão do imposto. São elas: Shell, TotalEnergies, Equinor, Petrogal e Repsol Sinopec. Juntas, essas companhias respondem por uma parte significativa da produção nacional de petróleo. Em fevereiro, por exemplo, elas produziram cerca de 791.486 barris por dia, o que representa aproximadamente 20% do total do país. O Brasil teve uma produção recorde de 4,061 milhões de barris diários no mesmo mês. A Petrobras, maior produtora brasileira, ainda não entrou com ação contra o imposto. A estatal produz cerca de 2,5 milhões de barris por dia, ou 60% da produção nacional. A decisão da Justiça, portanto, impacta diretamente uma parcela considerável do setor que lida com o imposto de exportação de petróleo.
O Motivo da Cobrança do Imposto pelo Governo
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou o imposto de exportação de petróleo com uma alíquota de 12%. Esta medida provisória visava diminuir o impacto do aumento dos preços do petróleo e dos combustíveis no mercado internacional sobre os consumidores brasileiros. A alta nos preços veio em meio a um conflito no Oriente Médio. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a cobrança. Ele disse que as empresas do setor estão lucrando muito com a valorização do petróleo globalmente. Assim, o governo quer usar o dinheiro arrecadado com o imposto de exportação de petróleo para cobrir gastos bilionários, como os subsídios ao diesel. Estes subsídios foram criados para controlar os efeitos da alta dos combustíveis.
A União não vai desistir. Uma fonte informou que o governo planeja recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo é tentar derrubar a liminar que beneficia as petroleiras. Procurados pela imprensa, o Ministério de Minas e Energia e a Advocacia-Geral da União não comentaram o assunto de imediato. Por outro lado, representantes das petroleiras já falaram sobre o tema. Eles afirmam que mudanças na política fiscal, como o imposto de exportação de petróleo, aumentam a incerteza para novos investimentos no Brasil. Isso pode gerar um ambiente menos atraente para o setor.
