O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu à Justiça o afastamento imediato de Nicholas Cardoso, presidente interino do Rioprevidência. Esta solicitação acontece após denúncias de que o fundo realizou investimentos em instituições financeiras sem o devido registro. Além disso, o Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões para cerca de 235 mil servidores do estado do Rio de Janeiro e seus dependentes.
Nicholas Cardoso assumiu o cargo de forma provisória. Ele substituiu o então presidente, Deivis Antunes. Antunes deixou a função após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF). Na semana passada, por exemplo, a GloboNews revelou que o Rioprevidência aplicou 118 milhões de reais em três fundos de investimento. Contudo, essas instituições não estavam cadastradas na autarquia. Além disso, isso viola regras do Conselho Monetário Nacional e do próprio Rioprevidência.
Leia também
Investimentos Sem Credenciamento Prejudicam o Rioprevidência
As aplicações financeiras ocorreram no final de dezembro do ano passado. Naquela época, Nicholas Cardoso atuava como diretor de investimentos do Rioprevidência. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) explica a importância do credenciamento prévio das instituições. Afinal, esta medida é essencial. Ela evita que o fundo fique exposto a fraudes, má gestão e possíveis prejuízos.
O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ (Gaesf/MPRJ) teve acesso à ação. Segundo o documento, manter Nicholas Cardoso na gestão do Rioprevidência representa um “periculum in mora” gravíssimo. Isso significa um risco de dano pela demora na decisão. A continuidade de aportes milionários em empresas sem credenciamento é preocupante. Especialmente, após o colapso do Banco Master. Tudo indica que a atual administração pode estar contribuindo ativamente para a perda de dinheiro público.
Escândalos Financeiros Anteriores e o Rioprevidência
Os 118 milhões de reais foram aplicados em fundos não credenciados. Isso ocorreu depois do escândalo de quase 1 bilhão de reais do Rioprevidência no Banco Master. Este escândalo já era público. Assim, o Conselho Fiscal do Rioprevidência enviou um ofício a Nicholas Cardoso em 16 de março. O ofício, portanto, alertava sobre a situação.
Detalhes dos Aportes e a Falha no Rioprevidência
O primeiro investimento, no valor de 8,2 milhões de reais, foi feito em 24 de dezembro de 2025. Ele foi direcionado ao Linea Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Prazo Longo Responsabilidade Limitada. Em seguida, em 29 de dezembro, ocorreram as outras duas aplicações. Por exemplo, uma delas, de 100 milhões de reais, foi para o R Cap Soberano FIF Renda Fixa Longo Prazo Responsabilidade Limitada. No mesmo dia, um terceiro aporte, de 10 milhões de reais, foi para o R Cap Alocação Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Longo Prazo Responsabilidade Limitada. Todas essas operações do Rioprevidência estão sob análise.
O Conselho Fiscal confirmou que essas aplicações foram realizadas sem o credenciamento das instituições financeiras. Elas eram responsáveis pela gestão e administração dos fundos na época das alocações. Portanto, a falta de credenciamento é a base da preocupação do Ministério Público. Isso levanta sérias questões sobre a segurança e a transparência dos investimentos. Tais investimentos afetam milhares de aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro.
