Variações genéticas e o efeito das canetas emagrecedoras

Um estudo recente mostra que variações genéticas podem explicar por que algumas pessoas perdem mais peso com canetas emagrecedoras como Wegovy e Mounjaro. Entenda como seus genes influenciam a eficácia do tratamento e os efeitos colaterais, além de outros fatores importantes.

Quem usa canetas emagrecedoras para perder peso nem sempre vê os mesmos resultados. Um estudo recente sugere que a genética de cada um pode explicar por que algumas pessoas emagrecem mais que outras com medicamentos como Wegovy e Mounjaro. As descobertas indicam que variações em dois genes ligados ao apetite e à digestão influenciam diretamente essa perda de peso. Elas também podem afetar os efeitos colaterais.

Como os genes influenciam a perda de peso?

Os remédios conhecidos como canetas emagrecedoras agem de um jeito parecido com um hormônio natural do intestino. Esse hormônio ajuda a dar a sensação de saciedade, fazendo a pessoa sentir menos fome. Assim, ela come menos e, por consequência, perde peso. O estudo, publicado na revista Nature, analisou dados de 15 mil pessoas que usaram esses medicamentos. Todos esses participantes já tinham feito testes genéticos com a empresa 23andMe. Com esses dados, os pesquisadores identificaram padrões entre as variantes genéticas e a resposta aos tratamentos. Eles observaram que a perda média de peso foi de 11,7% em oito meses. Contudo, alguns participantes perderam até 30% do peso, enquanto outros quase nada. Isso mostra uma grande diferença nos resultados.

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Variações genéticas e as canetas emagrecedoras

A professora Ruth Loos, da Universidade de Copenhague, comentou o estudo na Nature. Ela explicou que o trabalho achou uma variante genética ligada à perda de peso e também à sensação de náusea. Segundo Loos, pessoas com essa variante tendem a perder mais peso. Essa diferença pode ser de uns 0,76 kg a mais, mas quem tem duas cópias dessa variante pode perder o dobro. Essa variante é comum em pessoas de origem europeia. Cerca de 64% delas têm uma cópia, e 16% possuem duas. Já entre os afro-americanos, aproximadamente 7% carregam uma cópia do gene. Portanto, a presença dessa variante parece indicar uma maior chance de emagrecer com as canetas emagrecedoras.

Outros fatores que afetam o tratamento

Os genes têm um papel, mas não são os únicos a influenciar. Especialistas dizem que outros fatores também afetam os resultados. Idade, sexo e a origem da pessoa podem mudar a forma como o corpo reage aos medicamentos. Por exemplo, uma pessoa mais jovem pode ter uma resposta diferente de uma mais velha, mesmo com a mesma genética. No Reino Unido, por exemplo, mais de 1,6 milhão de pessoas usaram remédios para perder peso no último ano. A maioria compra esses produtos em farmácias online. O sistema público de saúde de lá, o NHS, só oferece os medicamentos como Wegovy e Mounjaro para um grupo pequeno de pessoas com obesidade e outras doenças ligadas.

Entendendo os resultados com as canetas emagrecedoras

Em ensaios clínicos, a perda de peso média com semaglutida (Ozempic e Wegovy) foi de 14%. Com tirzepatida (Mounjaro), a média chegou a 20%. Contudo, o estudo atual, com a população geral, mostrou uma média de 11,7%. Isso reforça que a resposta individual varia muito. Entender essas diferenças genéticas ajuda a prever quem pode ter mais sucesso com as canetas emagrecedoras. Além disso, pode ajudar a entender os efeitos colaterais. Assim, os médicos podem personalizar melhor os tratamentos, dando mais chances de sucesso aos pacientes.