O mundo da música perdeu um grande nome. Afrika Bambaataa, um dos criadores do hip-hop, faleceu aos 67 anos. Ele tinha uma ligação forte e duradoura com o Brasil, que moldou parte da nossa cultura musical. Sua influência se estendeu do funk carioca a parcerias com artistas locais, deixando uma marca profunda.
A influência de Afrika Bambaataa no funk carioca
A conexão de Afrika Bambaataa com o Brasil começou antes mesmo de ele visitar o país. Em 1982, ele lançou “Planet Rock”, um de seus primeiros grandes sucessos, junto com o The Soulsonic Force. Esta música se tornou um pilar fundamental para o que conhecemos como funk carioca. A base da canção, que usa trechos de “Trans-Europe Express” do grupo alemão Kraftwerk, é uma referência importante para o miami bass, um estilo que inspirou muito o funk brasileiro.
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Bambaataa reconhecia a presença de sua música no funk carioca. “Vejo minha música no funk carioca, definitivamente”, afirmou ele em entrevista ao jornal “O Globo” em 2010. “É tudo parte do electro funk, é minha família. Aqui, são usados mais os ritmos mais próximos da África.” Portanto, ele via o funk como uma extensão natural de seu trabalho, com raízes africanas evidentes.
Ele visitou o Brasil algumas vezes. Em 2008, por exemplo, Afrika Bambaataa se apresentou na Virada Cultural de São Paulo. Dois anos depois, em 2010, ele fez uma turnê por várias capitais brasileiras. Em 2013, durante outra passagem pelo país, ele conversou com a revista Rolling Stone. Na ocasião, ele destacou a importância de uma mudança no gênero. “Precisamos de uma revolução no funk carioca”, disse. “Precisamos falar do que está acontecendo na comunidade, em como sair dessa situação. Ainda dá para dançar, mas é preciso mandar a mensagem.” Ele acreditava que o funk tinha o poder de comunicar e inspirar transformações sociais.
Parceria com Fernanda Abreu: O encontro de Afrika Bambaataa com o Brasil
A relação de Afrika Bambaataa com o Brasil ficou ainda mais forte através de uma colaboração musical. Fernanda Abreu, conhecida como uma “embaixadora” do funk carioca, lançou o álbum “Amor Geral” em 2016. Um dos destaques desse trabalho foi a música “Tambor”, que contou com a participação do pioneiro do hip-hop.
A canção ganhou um videoclipe gravado no Rio de Janeiro, com a presença do próprio ícone. A faixa é uma mistura interessante de elementos musicais. Ela combina o ritmo marcante do tamborzão com o som único do berimbau, criando uma ponte entre as culturas musicais brasileira e global, sob a batuta de Afrika Bambaataa.
Os ensinamentos da Zulu Nation
Afrika Bambaataa foi o fundador da Zulu Nation, uma organização que se tornou crucial dentro do movimento hip-hop. A missão da Zulu Nation era simples: propagar a paz pelo mundo. Eles falavam sobre música e espiritualidade, promovendo valores positivos para a juventude. “A Nação Zulu representa: conhecimento, sabedoria, compreensão, liberdade, justiça, igualdade, paz, unidade, amor, respeito, trabalho, diversão, superação do negativo para o positivo, economia, matemática, ciência, vida, verdade, fatos, fé e a unidade de Deus”, explicava Bambaataa.
No Brasil, Rapin Hood é o grande representante da Zulu Nation. Ele leva as lições da organização para o público através de suas redes sociais e apresentações. Além disso, outros artistas brasileiros também mencionam a Zulu Nation em suas obras. Marcelo D2, por exemplo, canta em “Vai Vendo”: “Os mandamentos que eu sigo são da Zulu Nation”. D2 também fez uma homenagem direta a Bambaataa em um de seus álbuns. “À Procura da Batida Perfeita” faz referência clara a “Looking for the Perfect Beat”, faixa do álbum “Planet Rock” do lendário DJ.
O legado eterno de Afrika Bambaataa
A notícia do falecimento de Afrika Bambaataa chegou em 9 de maio, aos 67 anos. Segundo o site TMZ, ele faleceu devido a complicações de um câncer. Bambaataa nasceu no Bronx, em Nova York, no final dos anos 1950. Ainda jovem, ele fez parte da gangue Black Spades, onde rapidamente se tornou um “warlord”, ou líder. No entanto, sua trajetória mudou. A partir da década de 1970, ele canalizou sua energia para a música e a organização social, fundando a Zulu Nation e se tornando um dos “pais” do hip-hop.
Seu impacto na música global e, em particular, na cena brasileira é inegável. Ele não apenas criou batidas que definiram um gênero, mas também inspirou gerações a usar a música como ferramenta para a paz e a união. Seu legado continua vivo nas pistas de dança, nas letras de rap e no espírito comunitário que ele tanto defendeu.
