O Caracas FC, que já foi o grande nome do futebol na Venezuela, está perdendo seu brilho. Antigamente, o time era a principal referência do país em competições importantes como a Libertadores. Contudo, a situação mudou bastante nos últimos anos. A falta de apoio financeiro, especialmente do governo, impactou o desempenho do clube, enquanto outros times crescem com investimentos estatais. Este cenário redefine o poder no futebol venezuelano, e o Caracas FC sente o peso dessa transformação.
A Ascensão de Novos Clubes e o Desafio do Caracas FC
Desde a última vitória nacional do Caracas FC em 2019, o cenário do futebol venezuelano viu uma reviravolta. Clubes como La Guaira e Metropolitanos conquistaram títulos inéditos. A UCV, por sua vez, voltou a ser campeã depois de um longo tempo, desde 1957. O Deportivo Táchira também se aproxima do Caracas FC no número de campeonatos, com apenas uma conquista a menos. Portanto, vemos uma nova dinâmica no esporte local.
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Essa mudança mostra uma nova realidade para o futebol na Venezuela. Com um nível abaixo do brasileiro e de outros vizinhos sul-americanos, o esporte local depende muito de investimentos, sejam eles estatais ou privados. Sem o apoio direto do Estado, o Caracas FC busca patrocínios em casas de apostas e empresas de bebidas. Nos últimos dois anos, o clube terminou o campeonato em posições medianas, como 7º e 8º lugar, ficando fora da zona de classificação para a Libertadores. Assim, a competitividade diminui.
Investimentos Governamentais e a Perda de Espaço do Caracas FC
Os quatro times venezuelanos que se classificaram para a Libertadores de 2026 contam com investimentos que transformaram suas estruturas e patamares. É exatamente por isso que o Caracas FC perde espaço na elite do futebol venezuelano. O exemplo mais claro e notável é o da UCV, a Universidad Central de Venezuela. Essa situação ilustra bem a dificuldade enfrentada pelo clube.
A UCV foi a primeira equipe a vencer um campeonato profissional na Venezuela, em 1957, sob a liderança do brasileiro Orlando Fantoni. O sucesso seguiu até a década de 70, quando o time foi rebaixado e não conseguiu se reerguer por décadas. Foi um longo período de esquecimento para o clube tradicional, que parecia ter seu auge no passado.
UCV e os Laços com o Poder Estatal
A volta da UCV ao topo aconteceu em 2020. Isso foi possível graças a um grande investimento que veio por meio de um de seus proprietários, Alexander Granko Arteaga. Ele é coronel do exército venezuelano e chefe da Unidade de Assuntos Especiais (DAE) da Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM). Dessa forma, a influência estatal se tornou evidente.
Granko é mencionado em documentos das Nações Unidas como responsável por torturar presos na sede da DGCIM e perseguir opositores do governo de Nicolás Maduro, conforme revelado pelo jornal “El País”. Inclusive, a UCV chegou a usar o símbolo da DAE no uniforme em jogos oficiais, o que mostra a forte ligação entre o clube e o poder estatal. Essa conexão levanta questões importantes sobre a ética e a justiça na competição do futebol venezuelano, onde a influência política parece ser um fator decisivo para o sucesso dos clubes. Portanto, a ascensão da UCV não é apenas esportiva, mas também política.
O cenário atual do futebol venezuelano mostra um contraste claro. Enquanto o Caracas FC luta para se manter relevante com recursos limitados, outros clubes prosperam com o suporte de investimentos estatais e suas conexões. Essa dinâmica não apenas altera a hierarquia dos times, mas também reflete a complexa relação entre esporte, política e economia no país. O futuro do Caracas FC e do futebol na Venezuela dependerá de como essa balança de poder continuará a se ajustar, exigindo adaptação e novas estratégias.
