Imagine descobrir um segredo chocante sobre seu futuro cônjuge poucos dias antes do casamento. Essa é a premissa de O drama, um filme que chega aos cinemas com a promessa de um enredo intenso e um elenco de peso. Com Zendaya e Robert Pattinson nos papéis principais, a produção tinha tudo para ser um sucesso, contudo, a execução da história pode surpreender e dividir o público. O longa tenta explorar uma situação pessoal com potencial universal, mas acaba se perdendo em uma abordagem bastante específica, focando em elementos que nem todos os espectadores conseguirão se conectar.
A Promessa e a Realidade de O drama
No início, o público pode esperar de O drama um divertido “novelão”, perfeito para discussões calorosas após a sessão. De fato, o filme entrega momentos de leveza em sua abertura e um desfecho bastante absurdo, que cumprem essa expectativa. No entanto, a trama insere entre esses pontos um longo e arrastado trecho. Este segmento foca na neurose do protagonista, apresentando enquadramentos que parecem sem propósito e situações que beiram o esdrúxulo. Desse modo, o filme que tinha um tremendo potencial para abordar uma questão coletiva, infelizmente, restringe-se a um olhar muito particular.
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O Segredo e a Reação dos Personagens em O drama
O roteiro, assinado pelo diretor norueguês Kristoffer Borgli, narra as consequências da revelação de um grande segredo da personagem de Zendaya, poucos dias antes de seu casamento com o noivo interpretado por Pattinson. Não é possível detalhar a natureza exata desse acontecimento para evitar spoilers, porém, é compreensível a revolta de alguns espectadores. A indignação que o segredo provoca depende muito da capacidade de abstração do público, uma habilidade cada vez mais rara.
Aqueles que conseguem ir além do óbvio teriam a chance de contemplar as inúmeras possibilidades que a pergunta inicial do filme levanta. Todavia, assim que a “bomba” é lançada na mente do espectador, o filme decide mergulhar profundamente na psique do protagonista. Por consequência, essa escolha narrativa abre mão de qualquer possibilidade de empatia com a maioria da audiência, exceto talvez com homens de meia-idade, muito ingleses e com tendências neuróticas.
Escolhas Narrativas e o Impacto em O drama
A decisão de Borgli em focar excessivamente no personagem masculino também impede o desenvolvimento de uma química mais crível entre os dois astros. Da mesma forma, as incertezas do protagonista se tornam ainda mais difíceis de compreender, pois o próprio relacionamento nunca faz muito sentido para quem assiste. O filme O drama até melhora no final, quando volta a abraçar um ritmo de farsa e devolve o protagonismo à noiva. Ela, aliás, é de longe a parte mais interessante da trama, mas também a menos explorada.
Apesar de uma melhora na conclusão, o gosto deixado pelo longo e cansativo trecho intermediário não consegue ser totalmente superado. O filme, no entanto, ainda promete gerar um debate bastante animado ao final da sessão, o que pode ser um ponto positivo para quem aprecia discussões sobre cinema e relacionamentos. Afinal, a premissa de O drama é, por si só, um convite à reflexão.
