A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Esta medida é importante. Ela impede que veículos de comunicação respondam civilmente por falas de entrevistados. O tema da responsabilidade de jornais por conteúdos de terceiros gera muita discussão no cenário jurídico e político do país. A aprovação da PEC na CCJ vem como resposta a uma decisão anterior do Supremo Tribunal Federal (STF). O STF havia estabelecido novas regras para a responsabilização de empresas jornalísticas.
Em novembro de 2023, o Supremo Tribunal Federal havia determinado que as empresas de jornalismo poderiam sim ser responsabilizadas civilmente por declarações de quem participa de suas reportagens. Essa decisão gerou preocupação entre os profissionais da imprensa. Contudo, em 2025, o STF detalhou os critérios para essa responsabilização. Segundo o entendimento da Corte, um veículo de comunicação só seria culpado se houvesse prova de má-fé. Isso significa que a empresa deveria ter conhecimento prévio de que a declaração era falsa ou demonstrar uma negligência muito clara ao não verificar a veracidade da informação. Portanto, a PEC busca reverter ou, ao menos, mitigar esse cenário imposto pela mais alta corte do país, reforçando a liberdade de imprensa.
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O que muda com a PEC sobre a responsabilidade de jornais?
A Proposta de Emenda à Constituição, agora aprovada na CCJ, propõe uma barreira legal contra a responsabilização civil de jornais, rádios, TVs e sites de notícias pelas falas de quem participa de suas reportagens. Em outras palavras, a ideia é que a culpa por uma declaração considerada ofensiva ou falsa recaia sobre o autor da fala, e não sobre o veículo que a divulgou. Assim, essa medida visa garantir mais segurança jurídica para o trabalho jornalístico. O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), relator da proposta, destacou a importância da liberdade de expressão. Ele afirmou que este princípio é essencial para qualquer lugar onde opiniões e ideias diferentes podem ser ditas e debatidas sem medo ou censura. Desse modo, a formação do pensamento político em sentido amplo é fortalecida.
A liberdade de imprensa é um pilar fundamental em democracias. Ela permite que a sociedade receba informações diversas e forme suas próprias opiniões. Por exemplo, se um jornalista precisa se preocupar constantemente com a possibilidade de ser processado por algo que um entrevistado disse, isso pode levar à autocensura. Consequentemente, a qualidade e a diversidade das notícias podem diminuir. A PEC tenta evitar esse tipo de efeito. Além disso, a proposta busca diferenciar a responsabilidade do emissor original da informação da responsabilidade do canal que a veicula, desde que este último aja de boa-fé.
Próximos passos para a nova regra de responsabilidade de jornais
Após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, o texto da PEC ainda tem um longo caminho pela frente. Primeiro, ele será analisado e votado pelo Plenário do Senado. Se aprovado lá, segue para a Câmara dos Deputados. Na Câmara, o processo se repete, com análise em comissões e votação em plenário. Para se tornar lei, uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos em cada casa do Congresso Nacional, com pelo menos três quintos dos votos dos parlamentares. Isso demonstra que há um rigoroso processo antes que a medida sobre a responsabilidade de jornais possa ser definitivamente incorporada à Constituição Brasileira.
Este debate é crucial para o futuro do jornalismo no Brasil. De um lado, existe a necessidade de proteger a liberdade de expressão e a capacidade dos veículos de informar sem medo. De outro, há a preocupação com a disseminação de notícias falsas e a proteção da honra e imagem das pessoas. A PEC tenta equilibrar esses pontos, priorizando a não responsabilização do veículo quando a má-fé não é evidente. Portanto, o resultado final dessa tramitação legislativa terá um impacto significativo na forma como a imprensa opera no país e na percepção pública sobre a responsabilidade de jornais.
