Um estacionamento Vale do Anhangabaú, montado de forma irregular em uma área pública, foi rapidamente desmontado pela Prefeitura de São Paulo. A estrutura, instalada sob o Viaduto do Chá, gerou denúncias e uma resposta imediata das autoridades municipais. O local cobrava por hora, mas não tinha as licenças necessárias para operar, o que levou à sua desativação no mesmo dia em que foi flagrado.
A concessionária Viva o Vale, que administra o Vale do Anhangabaú, foi a responsável pela instalação do espaço. No entanto, a prefeitura informou que a empresa agiu sem autorização, configurando uma infração contratual grave. Este caso levanta questões sobre a fiscalização de áreas concedidas e a legalidade das operações realizadas nelas.
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Denúncia e a Rápida Ação da Prefeitura
A situação veio à tona na última quarta-feira, 8 de maio, quando o vereador Nabil Bonduki (PT) usou as redes sociais para denunciar a instalação de grades que cercavam o local. Assim que a denúncia foi feita, às 13h53, a imprensa questionou a Prefeitura de São Paulo. Em poucas horas, às 16h39, o estacionamento Vale do Anhangabaú já havia sido desativado e desmontado.
A fiscalização municipal agiu rápido. Além de notificar a concessionária Viva o Vale, a prefeitura apreendeu diversos equipamentos. Entre eles, gradis e guarda-sóis, que eram usados na operação do estacionamento. A atividade foi encerrada no mesmo instante da fiscalização, pois não possuía as licenças e autorizações administrativas exigidas. Além disso, a instalação violava as vedações contratuais.
O Estacionamento Vale do Anhangabaú: Detalhes da Irregularidade
No local, uma placa da empresa Brasil Park informava os valores cobrados: R$ 20 por hora, com um adicional de R$ 10 para cada hora extra. Também havia a opção de R$ 50 para 12 horas de permanência. Contudo, a ausência de licenças tornava toda a operação ilegal. A Prefeitura de São Paulo deixou claro que a Viva o Vale não tinha permissão para criar um estacionamento naquele ponto.
A gestão municipal reforçou a importância de que todas as atividades em áreas concedidas sigam rigorosamente os termos do contrato e obtenham as autorizações necessárias. A falta dessas permissões levou à intervenção imediata. A concessionária Viva o Vale e a empresa Brasil Park não responderam aos contatos da imprensa até a última atualização da reportagem.
Projetos Anteriores para Estacionamento no Anhangabaú
Documentos obtidos pela imprensa mostram que a ideia de um estacionamento Vale do Anhangabaú não era nova. Desde agosto de 2025, a concessionária Viva o Vale protocolou um projeto formal na prefeitura. O objetivo era analisar a implantação de um estacionamento chamado “Locus Park”. Esse projeto previa 333 vagas, distribuídas em uma área de aproximadamente 35 mil metros quadrados.
A proposta incluía a criação de, pelo menos, cinco acessos distintos para o estacionamento. Um dos acessos, o de número 4, localizado na Rua Parque Anhangabaú, sob o Viaduto do Chá, foi exatamente o ponto flagrado pelo vereador. Ou seja, a estrutura denunciada era similar ao que a empresa já havia proposto em seu plano, que ainda estava em análise e sem aprovação.
- Acesso via Cancela 1: Avenida São João, nº 100 (pela Rua Líbero Badaró)
- Acesso via Cancela 2: Avenida São João, nº 230 (pela Praça do Paissandu)
- Acesso via Cancela 3: Rua Formosa, sob do Viaduto do Chá (próximo ao CRECI)
- Acesso via Cancela 4: Rua Parque Anhangabaú, sob do Viaduto do Chá (próximo à entrada da Galeria Prestes Maia)
- Acesso via Cancela 5: Rua da Explanada, ao lado da Praça Ramos de Azevedo
O plano da concessionária previa o uso de barreiras físicas e gradis para controlar o fluxo de veículos. Isso restringiria os acessos e direcionaria os carros para entradas específicas. Esta descrição é semelhante à estrutura que foi montada e depois denunciada, evidenciando a tentativa de implementar o projeto sem a devida aprovação.
