O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, comunicou que o acordo de cessar-fogo de duas semanas, mediado entre EUA e Irã pelo Paquistão, não abrange o Líbano. Esta declaração veio na madrugada de quarta-feira, 8 de abril de 2026, contradizendo informações iniciais que incluíam o país na trégua. O gabinete de Netanyahu publicou no X que Israel mantém o compromisso com os objetivos dos EUA e de seus aliados. Contudo, a paralisação dos ataques, diferente do que o primeiro-ministro paquistanês havia divulgado sobre abranger todas as frentes de conflito, teve o Líbano retirado da equação pelo líder israelense. Esta notícia gera novas preocupações sobre o futuro da região.
Cessar-Fogo Exclui Líbano: O que significa?
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, Israel tem realizado ataques constantes no Líbano. O país alega ter como alvos o grupo Hezbollah, aliado do Irã, que opera na região e lançou ataques contra o território israelense. Para proteger seu território, Israel invadiu o sul do Líbano, assumindo o controle militar de toda a área vizinha até o rio Litani. Além disso, a capital, Beirute, e o Vale do Beqaa, no leste, também sofreram ataques aéreos.
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O governo libanês informou que mais de 1.500 pessoas perderam a vida em ataques israelenses no país desde o começo do conflito, e outras 4.800 ficaram feridas. Equipes de resgate e voluntários ainda procuravam vítimas de um ataque israelense em Jnah, no sul de Beirute, em 5 de abril de 2026, mostrando a intensidade do conflito. A decisão de Netanyahu de excluir o Líbano do cessar-fogo indica que a violência pode continuar nesta frente.
Condições e Negociações para o Fim da Guerra
A trégua foi intermediada pelo Paquistão e, a princípio, envolveria todas as frentes de batalha, incluindo Israel e o Líbano. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se encontrar em Islamabad na sexta-feira, 10 de abril, para iniciar as negociações de um acordo de paz. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia feito uma ameaça de atacar estruturas energéticas e pontes do Irã caso não houvesse um acordo até as 21h de terça-feira. Ele chegou a declarar que uma “civilização inteira” morreria.
Noventa minutos antes do fim do prazo, Trump anunciou em uma rede social que havia concordado em adiar os ataques por duas semanas. Ele condicionou esta decisão à reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã havia fechado após o início da guerra. Cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo passam por esta rota marítima vital. O fechamento do Estreito de Ormuz pressionou os preços do petróleo e gerou impactos econômicos em vários países, incluindo os Estados Unidos.
Exigências dos EUA e o Futuro do Cessar-Fogo
Além da reabertura do Estreito de Ormuz, os EUA já haviam listado outras condições para finalizar a guerra. Estas incluem o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares. Entre os pontos principais estão:
- Limitar o alcance e a quantidade de mísseis iranianos;
- Desativar usinas de enriquecimento de urânio;
- Acabar com o financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah;
- Criar uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.
Trump afirma que os EUA já venceram a guerra. Ao anunciar a trégua, ele disse que todos os objetivos americanos foram alcançados. No entanto, a exclusão do Líbano do acordo de cessar-fogo mostra que o cenário de paz total ainda enfrenta desafios importantes. As negociações em Islamabad serão cruciais para definir os próximos passos e a extensão real deste cessar-fogo na região.
