No sul da Bahia, a cidade de Ibirapitanga viveu um domingo de luto e consternação. Um crime chocante tirou a vida de Karielle Lima Marques de Souza, 26 anos, e de seu filho Nicolas Marques Sodré, de apenas seis. O ataque a facadas, ocorrido em frente à casa da família, chocou a todos e mobilizou as autoridades locais. A morte de Karielle Lima e seu filho rapidamente se espalhou, causando grande tristeza na comunidade.
A Vida de Karielle Lima
Karielle Lima era uma figura conhecida e querida em Ibirapitanga. Ela trabalhava como atendente de classe em uma escola municipal do bairro Novo, onde morava. Além disso, Karielle era trancista, uma habilidade que usava para embelezar muitas pessoas na região. Sua energia e talento se estendiam à capoeira, esporte que praticava com dedicação. Um dos momentos marcantes em sua vida foi a participação no concurso Deusa do Ébano 2025, promovido pelo bloco afro Ilê Aiyê, em Salvador. Ela representou sua cidade neste evento importante. Recentemente, Karielle tinha se tornado mãe pela segunda vez, pois tinha um bebê de apenas dois meses. Sua trajetória era de uma mulher multifacetada e cheia de vida, que construía seu futuro e o de sua família com esforço e dedicação.
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Detalhes do Crime e o Suspeito
O ataque que tirou a vida de Karielle Lima e seu filho aconteceu de forma brutal. No domingo, dia 5 de maio, Karielle saía de casa. Neste momento, Rolemberg Santos de Pina, de 32 anos, a surpreendeu. Testemunhas disseram que ele estava escondido atrás de um carro, aguardando o momento certo. Rolemberg morava perto da vítima. Segundo a investigação, ele aproveitou a saída do companheiro de Karielle para cometer o crime. Após o duplo homicídio, o suspeito fugiu. As buscas por Rolemberg terminaram de forma trágica: a polícia o encontrou morto em um imóvel na zona rural de Maraú, também no sul da Bahia. A corporação informou que havia indícios de que ele tirou a própria vida. Portanto, o caso ganhou um desfecho ainda mais complexo.
Histórico de Perseguição
A relação entre Karielle Lima e Rolemberg Santos de Pina não era nova. O delegado Rodrigo Fernando, responsável pelo caso em Ibirapitanga, revelou detalhes sobre o suspeito. Ele tentava se aproximar de Karielle desde a adolescência. Ela, no entanto, sempre recusou as investidas. A família de Karielle contou à TV Santa Cruz que a perseguição por parte de Rolemberg durava anos. Além disso, essa perseguição havia se intensificado nos dias anteriores ao crime. Diante dessa situação de ameaça constante, Karielle planejava registrar um boletim de ocorrência. Ela queria formalizar as denúncias contra o agressor. Este histórico mostra um padrão de comportamento obsessivo que culminou na tragédia.
Repercussão e Luta por Justiça
A morte de Karielle Lima e seu filho Nicolas gerou grande comoção em Ibirapitanga. A prefeitura da cidade decretou luto oficial, em sinal de respeito e solidariedade à família e à comunidade. O Bloco Ilê Aiyê, para o qual Karielle tinha sido candidata a Deusa do Ébano, também se manifestou. Em nota de pesar, a entidade destacou que Karielle era mais do que uma participante do concurso. Ela representava a beleza negra, a força, o futuro e a representatividade. A nota do Ilê Aiyê também fez um alerta importante: “Este não é um caso isolado. É reflexo de uma estrutura que insiste em violentar, silenciar e interromper vidas negras. É urgente que a sociedade, o poder público e todas as instituições assumam seu papel no enfrentamento dessa realidade, com políticas efetivas, proteção às mulheres e responsabilização rigorosa dos agressores.” A mensagem ressalta a necessidade de combater a violência de gênero e racial, para que tragédias como a que vitimou Karielle Lima não se repitam. Assim, a busca por justiça e prevenção continua.
