Em São José do Rio Preto, a arte de rua encontrou novos espaços. O que antes se via apenas nos muros, agora decora carros, geladeiras e até malas de viagem. Para muitos grafiteiros Rio Preto, essa expansão transformou a paixão em uma forma de ganhar a vida.
Essa mudança, por exemplo, mostra como a “street art” virou uma linguagem versátil. Artistas antigos da cidade e as novas gerações participam dessa evolução. Eles adaptam suas técnicas a diferentes superfícies, criando peças únicas e personalizadas.
Leia também
De Hobbie a Profissão: A Trajetória dos Grafiteiros Rio Preto
Wanderson José Sereni, conhecido como Pecks, é um dos pioneiros. Ele conta que, em 1994, tomou a decisão de viver do grafite. “É uma forma de fazer renda. Hoje pago as contas pintando muro e outras superfícies”, explica Pecks. Com mais de 30 anos de carreira, ele trocou a marcenaria pelas latas de spray. Com efeito, seus trabalhos estão espalhados por toda a região.
Pecks já pintou muitas coisas. Ele lembra de eletrodomésticos, tecidos, carros, além de fachadas de escolas e caixas d’água. Sua rede social mostra as personalizações que faz. Há geladeiras coloridas, pranchas de surfe com visuais diferentes e malas de viagem únicas.
Contudo, os murais continuam sendo um símbolo importante da sua carreira. A fachada do Clube Amigos dos Deficientes (CAD), no Jardim Maracanã, em Rio Preto, é um dos seus trabalhos mais marcantes. Pecks fez essa obra com Edgar Andreatta, do grupo Arte Sem Limites.
Reconhecimento e Aceitação da Arte Urbana
Hoje em dia, a obra do CAD ganhou uma nova versão em outubro de 2025. Novos desenhos foram adicionados, fazendo referência a paratletas e à cultura negra. Pecks percebe que ser grafiteiro no interior de São Paulo é bem mais fácil hoje. “Na minha época, tinha muito preconceito. Já tomei muito enquadro da polícia”, ele afirma.
Ele acredita que o grafite evoluiu. Agora, é mais reconhecido como “street art” ou muralismo. Dessa forma, a aceitação do público cresceu bastante. William Cardoso, que usa o apelido Will Insano, também reforça essa ideia. Inclusive, ele sugere usar a palavra “graffiti”, que é a grafia original italiana, para destacar a autenticidade da arte.
A arte urbana, portanto, deixou de ser vista apenas como vandalismo. Desse modo, ela se tornou uma forma legítima de expressão e, para muitos, um meio de sustento. Os grafiteiros Rio Preto mostram essa transformação. Eles levam suas cores e mensagens para diversos lugares, enriquecendo o cenário visual da cidade.
Grafiteiros Rio Preto: Arte que Transforma e Sustenta
Além disso, a demanda por trabalhos personalizados aumentou. Pessoas e empresas buscam a originalidade do grafite para decorar espaços e objetos. Isso abre novas portas para esses artistas, que conseguem viver de sua arte. A cidade de São José do Rio Preto se beneficia, assim, de uma paisagem mais colorida e expressiva.
Em resumo, a trajetória dos grafiteiros na região é de superação e adaptação. Eles romperam barreiras, conquistaram reconhecimento e provaram que o grafite é muito mais do que tinta em paredes. É uma arte viva, que se reinventa e encontra novos suportes para existir.
