Paciente do SUS recebe fígado mantido ‘vivo’ fora do corpo por mais de 4 horas em máquina

Um paciente do SUS em São José do Rio Preto recebeu um novo fígado que foi mantido 'vivo' fora do corpo por mais de 4 horas graças a uma máquina de perfusão, revolucionando o tempo de preservação do órgão para transplante.

Um paciente do SUS em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, recebeu um novo fígado. O que torna este caso especial é que o órgão ficou funcionando fora do corpo por mais de quatro horas. Uma máquina de preservação manteve o fígado em condições ideais. Isso permitiu um transplante de fígado bem-sucedido no Hospital de Base (HB). Esta tecnologia, custeada pelo próprio hospital, abre novas portas para a medicina.

Rodolfo Aparecido Chicone, de 39 anos, já consegue caminhar pelos corredores do hospital após a cirurgia. O procedimento foi realizado no sábado (28), e a recuperação de Rodolfo mostra o sucesso da nova abordagem. Além disso, a máquina que preservou o fígado por 4 horas e 35 minutos garantiu que o órgão chegasse ao receptor em ótimas condições.

PUBLICIDADE

Como a máquina melhora o transplante de fígado?

Tradicionalmente, um fígado pode ser preservado em gelo por cerca de 10 a 14 horas. Contudo, com a máquina de perfusão hepática, este tempo pode aumentar para até 24 horas. Isso significa quase o dobro do período disponível para realizar o transplante de fígado. Dessa forma, as equipes médicas ganham mais tempo para avaliar o órgão e transportá-lo com segurança. A máquina mantém o fígado em um estado funcional, simulando o ambiente do corpo humano, o que é um grande avanço.

O Hospital de Base, com a chegada dessa tecnologia, criou um Centro de Manutenção de Órgãos. A expectativa da instituição é que esta inovação ajude a usar mais órgãos. Consequentemente, o tempo de espera por transplantes deve diminuir.

Aumentando as chances no transplante de fígado

No Brasil, mais de 72 mil pessoas esperam por um transplante, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Destas, aproximadamente 1,5 mil precisam de um fígado. A nova tecnologia tem o potencial de impactar diretamente esses números. Por exemplo, ela permite que órgãos que antes seriam descartados por questões de tempo ou distância agora possam ser aproveitados.

Horácio Ramalho, diretor executivo da Funfarme (Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto), explica a complexidade do processo. “Para o órgão chegar, ele passa por um processo longo, que envolve laboratórios, existem equipes voltadas para isso, de retirada, transporte, então existe uma cadeia para chegar ao paciente”, comenta. Assim, o objetivo é aumentar a utilização desses órgãos doados, que são um gesto de humanidade.

Neste primeiro momento, a tecnologia beneficia os transplantes de fígado. No entanto, o hospital planeja expandir seu uso para outros órgãos vitais. Os rins, por exemplo, são os próximos na lista. Esta expansão pode transformar a realidade de milhares de pacientes que aguardam por uma nova chance de vida. A recuperação de Rodolfo é um testemunho do potencial dessa inovação. Portanto, a máquina representa um passo importante para a saúde pública no Brasil. Ela oferece esperança e mais oportunidades para quem precisa de um transplante.