A Bolívia, em especial a cidade de Santa Cruz de la Sierra, se tornou um ponto de apoio para grandes grupos criminosos do Brasil e do Uruguai. A presença do PCC na Bolívia e de outras organizações ficou clara com prisões recentes que chamaram a atenção. Em março, a cidade viveu um momento de agitação com a captura de Sebastián Marset, um dos traficantes mais procurados da América Latina. Ele era líder do Primeiro Cartel Uruguaio (PCU) e foi encontrado dormindo em sua casa em Santa Cruz, cidade conhecida por sua riqueza.
Marset morou no país usando uma identidade falsa brasileira e até jogou futebol. Além disso, ele fez laços com grupos poderosos, como o PCC. Em um vídeo que divulgou nas redes sociais, ele apareceu com armas e um símbolo do PCC, dizendo que estavam “prontos para a guerra”. Depois de sua prisão, outras pessoas foram detidas, mostrando que Santa Cruz virou um lugar seguro para líderes do crime organizado, incluindo facções brasileiras.
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Grandes Nomes e a Presença do PCC na Bolívia
Sebastián Marset havia saído de Montevidéu, no Uruguai, em 2018. Ele passou pelo Paraguai e por Dubai antes de se refugiar na Bolívia. Lá, usou uma identidade falsa brasileira para jogar futebol na liga de Santa Cruz. Além disso, ele criou ligações com grupos criminosos fortes, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em um vídeo que divulgou nas redes sociais, ele apareceu fortemente armado ao lado de um grupo de pessoas encapuzadas e um símbolo do PCC, afirmando que estavam “preparados para fazer guerra com quem fosse”.
Marset foi entregue aos Estados Unidos no mesmo dia de sua prisão, onde o investigam por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Contudo, ele não foi o único alvo das autoridades policiais. Dias depois de sua captura, o governo boliviano informou que cinco colombianos e dois equatorianos também foram pegos em Santa Cruz durante uma operação para desmantelar organizações criminosas. Estas prisões recentes refletem um padrão que tem consolidado a cidade como refúgio de lideranças do crime organizado, inclusive de facções brasileiras.
Por que a Bolívia Atrai o PCC e Outras Facções?
Em maio do ano passado, as autoridades bolivianas e a Polícia Federal prenderam Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta. Ele tentou renovar sua identidade usando um documento falso, o que levou à sua identificação. Segundo o Ministério Público de São Paulo, Tuta era um dos principais coordenadores de um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Ele estava na lista vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal.
O Ministério Público acredita que outros membros da facção, que estão foragidos, podem estar escondidos na Bolívia. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que Santa Cruz virou um “hub logístico e financeiro para o tráfico”. A cidade tem uma posição estratégica e boa infraestrutura, o que facilita a atuação do crime organizado. Rodrigo Chagas, professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica: “É um local que dá condições operativas para esses grupos se fixarem e estabelecerem seus negócios”.
Por outro lado, o vice-ministro de Substâncias Controladas da Bolívia, Ernesto Justiniano, reconhece que Santa Cruz de la Sierra ocupa uma posição estratégica nas rotas do tráfico de drogas. Contudo, ele defende que o problema não é exclusivo de seu país, mas sim de uma “rede criminosa que opera em diferentes países”.
Assim, a luta contra o crime organizado na Bolívia, e a presença do PCC na Bolívia, é um desafio complexo. Envolve a cooperação entre países e uma compreensão profunda das rotas e métodos usados por essas facções. A Bolívia continua a ser um ponto crucial nessa rede criminosa, exigindo atenção constante das autoridades na região.
