A mobilidade por bicicleta em Bogotá serve de lição para outras cidades. A capital da Colômbia se destaca como um modelo de transporte urbano na América Latina. Ela mostra como é possível organizar o trânsito e dar espaço para quem pedala. Enquanto isso, o Rio de Janeiro enfrenta problemas com a falta de estrutura e regras claras para os ciclistas. Portanto, a cidade carioca pode aprender muito com as soluções aplicadas em Bogotá para melhorar a segurança e o uso das bicicletas.
Desafios da mobilidade por bicicleta no Rio
O Rio de Janeiro enfrenta sérios problemas. Acidentes recentes, como o que tirou a vida de uma mulher e seu filho na Tijuca, mostram a urgência de agir. Dados dos Bombeiros indicam um aumento de 244% nos atendimentos envolvendo veículos de micromobilidade em apenas um ano. Isso significa um salto de 52 para 179 ocorrências. Além disso, o número de bicicletas elétricas cresceu muito no Brasil. Em 2016, eram 7,6 mil unidades. Agora, em 2024, são 284 mil. A rede de ciclovias do Rio tem cerca de 500 km. Contudo, ela cresceu apenas 1,9% no último ano e sua qualidade é questionada. Especialistas afirmam que a falta de planejamento e continuidade nas ações causa este cenário.
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Falta de regras e fiscalização
Outra questão no Rio é a legislação. Existe uma resolução nacional desde 2023 com regras para esses veículos. No entanto, o Rio ainda não fez sua própria regulamentação para aplicar essas normas localmente. Na prática, isso impede a fiscalização. Também não é possível aplicar multas. Isso deixa ciclistas e pedestres em uma situação de insegurança. Portanto, a cidade precisa agir para garantir um ambiente mais seguro para todos.
Bogotá: Um exemplo de mobilidade por bicicleta
Bogotá construiu, ao longo de várias décadas, um modelo forte para incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. A cidade tem hoje 677 km de ciclovias permanentes. Há mais de 79 mil vagas para estacionar bicicletas. Segundo a Secretaria de Mobilidade, ocorrem 887 mil viagens de bicicleta por dia. O sistema colombiano começou a se desenvolver nos anos 1990. Naquela época, a rede de ciclovias cresceu rapidamente. Desde então, políticas públicas contínuas fortaleceram o modelo.
Iniciativas que impulsionam a mobilidade por bicicleta
O Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) estudou o caso. Eles mostram que Bogotá fez uma mudança importante. A cidade combinou um transporte público eficiente com a diminuição do uso de carros. Além disso, incentivou a mobilidade ativa. Um dos programas é a Ciclovía Dominical, criada em 1974. Este programa fecha ruas para carros todos os domingos e feriados. Isso cria espaços seguros para as pessoas pedalarem. Outra iniciativa é o ‘Dia Sem Carro e Sem Motocicleta’. Neste dia, os moradores usam outras formas de se mover, que são eficientes e sustentáveis. Assim, Bogotá se tornou uma referência.
