Um susto inesperado mudou a rotina de uma família em Ribeirão Preto, São Paulo. O comerciante Guelfo de Favari Júnior, de 62 anos, descobriu que, para o Sistema Único de Saúde (SUS), ele não existe mais. Esta situação de comerciante dado como morto no SUS veio à tona quando ele tentou pegar medicamentos essenciais pelo programa Farmácia Popular. A esposa, Sandra Valéria Souza, relata o choque: “Sou uma viúva de marido vivo”, ela brinca, mas a gravidade do problema é inegável.
O episódio aconteceu na última quarta-feira, quando Guelfo foi a uma farmácia para retirar remédios para arritmia e pressão alta. Contudo, o sistema do Farmácia Popular apontou uma suspensão em seu Cadastro Nacional de Usuários do Sistema Único de Saúde (CadSUS). O motivo: ele consta como falecido. O farmacêutico confirmou a informação, deixando o casal apavorado. Sandra, ciente do problema cardíaco do marido, se preocupa com o estresse que a situação causa.
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A descoberta do erro no SUS
A princípio, a notícia parecia inacreditável. Guelfo de Favari Júnior, um homem ativo em sua comunidade, de repente se viu impedido de acessar um direito básico. Ele tentava pegar medicação de uso contínuo, crucial para sua saúde. O atendente da farmácia foi claro: o sistema indicava o óbito do comerciante. Este fato, portanto, impediu a liberação dos remédios. A surpresa e a indignação foram imediatas, pois o comerciante estava ali, de pé, tentando provar sua existência.
Sandra Valéria Souza acompanhou o marido na farmácia para entender o que estava acontecendo. Ela ouviu do próprio farmacêutico que o CadSUS de Guelfo estava suspenso porque ele estava “morto”. Esta informação, além de absurda, gerou uma grande preocupação. O casal agora enfrenta uma burocracia para reverter esta situação e garantir que Guelfo possa continuar usando o sistema de saúde.
Preocupação com a saúde em risco
A principal angústia de Sandra não é o custo dos medicamentos. “O problema não é o valor do remédio”, ela explica, “porque a gente vai e compra, dá um jeito”. A verdadeira preocupação da família é o futuro. Se Guelfo precisar de um atendimento de urgência, uma internação ou até mesmo uma cirurgia que só o SUS pode oferecer, ele estará desamparado. A Ouvidoria do SUS confirmou essa impossibilidade, aumentando a tensão do casal. Portanto, a inatividade do cadastro do marido representa um risco real à sua vida.
A família sabe que, em caso de emergência, cada minuto conta. Ter o acesso negado ao sistema por um erro burocrático pode ter consequências sérias. Por exemplo, um ataque cardíaco ou outra condição grave poderia não ser tratada a tempo se o cadastro de Guelfo não estiver ativo. Eles estão em uma corrida contra o tempo para corrigir o equívoco e assegurar que o comerciante tenha seus direitos garantidos.
A origem da confusão e a luta por justiça
A confusão no sistema do SUS começou em dezembro de 2024. Naquele mês, o pai do comerciante, também chamado Guelfo de Favari, faleceu. O filho ficou responsável por registrar o óbito no cartório. Contudo, parece que houve uma troca de informações. Guelfo de Favari Júnior registrou a morte do pai no dia 16 de dezembro, mas, de alguma forma, no dia 15, o sistema o “cortou”, registrando-o como falecido no lugar do pai. “Ninguém sabe explicar o que está acontecendo”, ele questiona.
Ele ressalta a ilogicidade da situação: “Se fui eu que pedi a certidão de óbito dele, que fui até o cartório, como eu poderia estar morto?”. Ao longo de 2025, o comerciante seguiu comprando seus remédios normalmente, sem precisar do Farmácia Popular. Apenas há uma semana, ao tentar usar o benefício, o erro veio à tona. Este é um exemplo claro de como um erro administrativo pode gerar grandes transtornos e riscos para os cidadãos.
O que fazer em casos de erro no SUS?
Casos como o de Guelfo de Favari Júnior mostram a importância de manter os dados cadastrais atualizados e de verificar regularmente a situação nos órgãos públicos. Ao descobrir um erro como este, é essencial procurar a Ouvidoria do SUS e, se necessário, buscar apoio jurídico. Documentos como certidão de nascimento, RG, CPF e comprovante de residência são fundamentais para provar a identidade e a existência do indivíduo. Além disso, ter em mãos os documentos que comprovem o óbito do pai, no caso de Guelfo, pode ajudar a esclarecer a confusão.
A persistência é chave. A família está empenhada em resolver esta situação o mais rápido possível. Eles esperam que o sistema seja corrigido para que Guelfo possa ter sua vida normal de volta, com acesso pleno aos serviços de saúde que ele, como qualquer cidadão, tem direito. A história do comerciante dado como morto no SUS serve de alerta para a necessidade de fiscalização e melhoria contínua dos sistemas de informação governamentais.
