99 desiste de operar serviço de moto por aplicativo em São Paulo

A 99 anunciou que não vai mais operar o serviço de transporte de passageiros por moto em São Paulo. A decisão veio após a prefeitura impor regras rígidas, focando na segurança, que as plataformas consideram inviáveis.

A empresa 99 comunicou à Prefeitura de São Paulo que não vai mais operar o serviço de moto por aplicativo na capital. Esta decisão foi revelada durante uma reunião com o prefeito Ricardo Nunes. A prefeitura, por sua vez, defende a restrição do serviço, citando dados técnicos e preocupações com a segurança. Por exemplo, o prefeito afirmou que a complexidade da cidade exige atenção à segurança tanto do motociclista quanto do passageiro.

O CEO da 99, Simeng Wang, disse que a empresa quer manter o diálogo com o poder público. Além disso, a 99 se mostrou aberta a parcerias com a prefeitura. Entre as ideias discutidas, está a criação de pontos de apoio para motociclistas na cidade. Contudo, a empresa deixou claro que não tem planos de lançar o serviço de mototáxi em São Paulo. O foco, no momento, é a expansão de entrega de comida e outros serviços.

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Regulamentação e exigências para motociclistas

A desistência da 99 ocorre meses depois da regulamentação do serviço de transporte por motos na capital paulista. O prefeito Ricardo Nunes sancionou esta lei em dezembro de 2025. Naquela época, empresas como a 99 e a Uber haviam mostrado interesse em retomar o serviço na cidade. No entanto, elas desistiram após a aprovação das regras. As plataformas, consequentemente, consideraram estas exigências muito rígidas.

A lei municipal estabeleceu várias condições para motociclistas e empresas. Por exemplo, condutores precisam ter no mínimo 21 anos. A circulação é proibida no centro expandido, conhecido como minianel viário. Há também restrições em dias de chuva forte e em vias de trânsito rápido. Adicionalmente, é obrigatório fazer cursos, exames toxicológicos e usar equipamentos de segurança.

Obrigações das empresas e multas

As empresas também receberam regras. Elas precisam contratar seguro para passageiros e instalar pontos de descanso para os motociclistas. Outra exigência é a implementação de limitadores de velocidade nos aplicativos. As multas para quem não cumprir as normas podem variar de R$ 4 mil a R$ 1,5 milhão por dia. Portanto, o impacto financeiro do descumprimento é grande.

O impasse da moto por aplicativo em SP

Entidades que representam as plataformas classificaram a legislação como “proibitiva”. Elas afirmaram que iriam à Justiça, alegando que as exigências tornariam a operação do serviço inviável na cidade. Desde então, não havia uma data certa para a volta do transporte de passageiros por motos em São Paulo. Este cenário, portanto, mostra a dificuldade em conciliar a inovação com a segurança pública.

Histórico de desistências

Em dezembro do ano passado, a 99 e a Uber já tinham sinalizado uma possível retirada. As empresas desistiram de retomar o serviço de imediato, uma medida tomada logo após a sanção das regras. As normas definidas no projeto, aprovado em dois turnos na Câmara Municipal de SP, deixaram as duas empresas bastante insatisfeitas com o futuro da moto por aplicativo na cidade. Dessa forma, a decisão atual da 99 apenas confirma a postura do setor.

A cidade de São Paulo, por sua vez, mantém sua posição de priorizar a segurança. As negociações com as plataformas continuam, mas a operação do serviço de moto por aplicativo parece distante. Este tema gera debates importantes sobre mobilidade urbana, segurança e a atuação das empresas de tecnologia. Acompanharemos os próximos passos e possíveis desenvolvimentos.