"Quando o governo começa a acabar, ninguém mais te procura", disse o presidente Michel Temer

"Quando o governo começa a acabar, ninguém mais te procura", disse o presidente Michel Temer

Faltando menos de um mês para passar o bastão a Jair Bolsonaro , o presidente da República, Michel Temer, disse, em um evento na noite de terça-feira (04), em Brasília, que quando o governo de um mandatário está na reta final, “ninguém mais te procura”.

“Quando o governo começa a acabar, ninguém mais te procura. A história do café frio é uma verdade absoluta”, afirmou Temer, que disse, em tom de brincadeira, que no seu gabinete o café ainda é servido quente”.

“Aliás, alguns se surpreendem porque lá na minha sala o café ainda é quente e vem água, porque as pessoas dizem que nem água servem nos últimos tempos. Eu, graças a Deus, além de dizer que lá o café ainda é quente, e olha que falta pouco tempo, nesses últimos dias tenho me surpreendido agradavelmente com homenagens que temos recebido”, completou, após ser homenageado pela Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil).

A expressão “café frio” costuma ser usada para descrever os últimos meses de um presidente da República à frente do cargo, quando diminui consideravelmente o assédio de políticos e empresários ao ocupante do terceiro andar do Palácio do Planalto.

No caso de Temer, que não concorreu nas eleições de outubro e tampouco teve um candidato competitivo para patrocinar – Henrique Meirelles, que concorreu pelo MDB, não chegou a 2% dos votos –, o clima de esvaziamento começou meses atrás, antes mesmo de começar a disputa eleitoral.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que encontrou elementos de que o presidente Michel Temer recebeu pagamentos da Odebrecht que configuram crime de corrupção passiva. Dodge pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a parte do inquérito que investiga os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha seja transferida da Justiça Eleitoral para a Justiça Federal.

O inquérito apura se Temer negociou ou não o repasse ilícito de R$ 10 milhões para o MDB, quando ainda era vice-presidente. O ministro Edson Fachin suspendeu a investigação relativa a Temer até o fim do mandato.

A defesa de Michel Temer declarou que vai se manifestar nos autos. A defesa de Eliseu Padilha afirmou que não há hipótese de corrupção no processo e que espera que o Supremo não aceite o pedido.

O advogado de Moreira Franco disse que a petição da Procuradoria é incoerente com os fatos apurados e com a jurisprudência do Supremo e que a forma como foi escrita denota um caráter político e panfletário.

Fonte: Jornal O Sul